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O Menino, as Cores e o Mundo

 

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Imagem retirada do site: mensagens e reflexões

Aqui estava eu em mais uma das inúmeras madrugadas cariocas pensando em amigos meus, um em especial, quando vi, já tinha escrito o texto…

Existia no mundo um menino que enxergava tudo em preto e branco, isso não o tornava triste, não, as cores para ele eram sentimentos, então seu mundo era colorido com as cores mais intensas possíveis.

O Azul sempre o remeteu a serenidade que ele tinha nos dias chuvosos, ele amava esses dias, ele corria para o lado de fora, entre a tempestade e todos os trovões, e ia observar a alegria das flores ao receber as gotas de chuva e a espontaneidade das crianças em pular as poças d’água, era como se isso causasse leves cosquinhas nele, ele sorria enquanto imaginava que aquelas cenas sem dúvida seriam embaladas pela cor azul…

Sorrisos azuis…, era assim que ele pintava seu mundo, com grandes e inesquecíveis sorrisos azuis, sorrisos repletos de prazeres simples e imateriais.

Os dias quentes o remetiam sempre ao amarelo, ele gostava de sorrir enquanto se sentava e apreciava os primeiros raios de sol encontrando sua pele, era quente, diferente, era como o beijo dos apaixonados casais, era como os seus beijos, os beijos que ganhava ao pé do ouvido nas madrugadas insanas, o amarelo era tão voraz quanto qualquer toque, era suave, íntimo, era um movimento bilateral. O amarelo no fundo era o encontro de corações, um grande abraço invisível que acontecia.

Ele vivia desses abraços intermináveis que pintavam seu mundo de amarelo.

O vermelho o remetia a doces, ele via o vermelho e sentia vontade de o devorar como se ele fosse feito de uma droga viciante, ele amava aquele doce, ele simplesmente mergulhava naquela sensação que o dava coragem de enfrentar qualquer coisa sem desistir. Ele corria, corria e corria com aqueles olhos tímidos, com aquele sorriso solto e devorava qualquer coisa que via na sua frente e o fizesse se sentir bem.

Ele amava aquela sensação de prazer, era como respirar, essencial para sua vida. O vermelho era seu prazer, e seu prazer era gritar para o Mundo que ele queria o descobrir, que ele queria o devorar…

Quando fechava os olhos e se perdia na imensidão que era seus sonhos, ele Imaginava o verde, e era como se perder no Mundo, era divertido imaginar que entre tantas cores a que se fazia mais presente era o verde, era como pular de um avião sem paraquedas, uma queda livre. O verde era aventura, uma aventura que invadia todos os órgãos do seu corpo, ele amava se sentir verde, se sentir parte de algo e lutar por esse algo tão livremente quanto qualquer pássaro na floresta, ele era verde por inteiro.

Ele era livre, e talvez por isso tantas vezes ele achou que não cabia no mundo… Talvez por isso ele tenha inventado tantas vezes seu próprio Mundo e o pintado de cores tão peculiares que nenhum outro alguém poderia as identificar…

Sabe quando você se sente o inventor do Mundo? Então quando o menino se sentia dessa forma ele se sentia abóbora. Se sentir abóbora era se sentir quente e doce, o menino sempre se sentia assim, quando inventava que era o rei do mundo. Ele corria por aí inventando de consertar corações quebrados, seus passos ágeis formavam quase uma orquestra, ele raramente se preparava para os tombos, mas… ele não se importava em cair, se isso fizesse os outros voltarem a sorrir.

Abobora não era uma cor tão legal assim, eram intermináveis os dias em que ele se sentia abobora e voltava para casa com o joelho ralado e o sorriso travesso no rosto, nesses dias tudo que ele precisava era a certeza de que suas ações tinham valido a pena, afinal quem liga para um joelho ralado no fim das contas?

Se sentir abobora sem dúvida era melhor do que se sentir violeta, entre todas as cores a que mais o remetia ao “preto e branco” era o violeta, ele gostava da cor apesar dela ser tão fria, tão fria quanto os dias tristes, ele sempre precisava de abraços nesses dias, ele gostava de se sentir quente e não frio… Sabe os dias violetas, eram os dias em que ele mais se sentia criança, hora estava agitado procurando por uma resposta impossível, hora estava procurando se sentir acolhido…

Os dias violetas eram dias chatos demais, cheiravam a saudade, a angustia e a medo, ele não gostava de sentir medo, mas era difícil compreender o menino, mesmo gostando tão pouco de Violeta ele ainda se sentia inspirado a ter coragem e a tingir esses dias com várias cores, as misturando e formando dias improveis possíveis.

É, ele realmente amava viver em um Mundo “preto e branco”, sua maneira de enxergar o mundo era algo único e talvez por isso ele enxergasse melhor do que qualquer outra pessoa…

Capitalismo, Crônica, escolhas, Padrão, Sem categoria

Apenas 1, 2, 3,… escolhas.

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Começo escrevendo esse texto dizendo que gostaria que o tema desse fosse outro, mas estou em uma semana muito complexa por causa de uma prova, que não, não é o ENEM, já passei dessa fase, agora estou naquele limbo eterno a procura de emprego e estabilidade.

Como eu ia falando gostaria que o tema desse texto fosse algo político, queria escrever a respeito da PEC241, da Medida Provisória que altera o Ensino, da Escola sem Partido, queria escrever a respeito de tudo isso, e de como tentam nos amordaçar enquanto nos tiram direitos, mas infelizmente não posso. Não que eu não consiga falar dessas monstruosas alterações, que tem como princípio básico diminuir o número de acessos a Universidade Pública, assim como parar o crescimento capital da população em prol de um crescimento econômico ilusório pautado na privatização.

Não eu definitivamente não vou falar disso, nem muito menos do fato do Prefeito da Minha Cidade ter sido eleito com um número inferior ao número de votos de pessoas que se pautaram na abstenção, muito menos comentarei ao fato desse candidato apoiar a PEC241. Não, eu definitivamente não quero falar mal da população que se absteve ao voto e agora fica reclamando da decisão de se ter como prefeito um senhor que diversas vezes deixou claro seus atos de intolerância.

Sabem durante boa parte da minha vida escolar me foi empregado que eu deveria escolher algo que eu gostasse para seguir como profissão, sabem qual é problema disso, eu nunca soube escolher. NUNCA!

Quando pequena eu amava rasgar os sacos plásticos da minha mãe e me imaginar uma estilista famosa que desenhava em todos os cantos seus planos para dominar o mundo da moda, minha vó até falava que um dia iria me levar no barracão da Portela para eu me enfiar no meio de toda aquela pluma e paetês que eu tanto amava, afinal quando ia na casa dela adorava ficar brincando com as fantasias velhas do meu primo. Bem ela nunca me levou na Portela, nunca conheci o processo de confecção de fantasias e não sei bem se a culpa foi dos meus pais que não deixaram ela alimentar essa “fantasia infantil”. De fato, eu ainda curto desenhar roupas para passar o estresse, assim como “as vezes” costuro algumas coisas na máquina que fica no meu quarto.

Às vezes eu fico pensando como seria se de fato eu tivesse conhecido o barracão da Portela, talvez minha vida fosse ser igual, ou talvez diferente, nunca saberei. Nessa época eu tinha umas primas que brincavam comigo, entre eu ser bruxa e modelo pop star, descobria que não existe “bruxa boazinha”, e meninas tinham que ser “boazinhas” e nem “modelo gordinha”, eu realmente preferia os sacos plásticos ao menos eles não me diziam que “eu não podia ser”. Mas nem tudo são flores, principalmente quando brincava de “lutinha” com meu irmão mais novo, altos golpes que me fizeram ganhar o rótulo de “garota-moleque”, nossa eu fui bastante rotulada quando pequena, me pergunto porque não fiz judô, boxe, karatê, sei lá, eu curtia e ainda curto esse tipo de esporte, acho que a grana na época era pouca e eu agora não tenho tempo.

O mais engraçado é que eu nunca fui uma coisa só, desde pequena, cresci entre as panelas da minha mãe e entre as ferramentas do meu pai, minha mãe é ciumenta com as panelas dela, então quando pequena eu a esperava sair, para poder inventar algo na cozinha, é claro que raramente dava certo, e mais claro ainda que isso de certa forma fez ela me manter muito longe das panelas, eu queria ser chefe de cozinha e hoje apesar de ainda colecionar receitas ainda não me sinto confiante perto das panelas.

Conforme fui crescendo fui me interessando ainda mais por uma série de coisas diferentes, ajudar meu pai tinha suas vantagens, aprender sobre carros, obras e fiação elétrica me fizeram questionar se eu deveria fazer alguma engenharia, física, sei lá alguma coisa de exatas. Mas eu não fiz, na verdade meu ensino médio, foi bem humano, fiz formação de professores em uma escola Normal Estadual, um pacote completo que me fizeram questionar como o Estado pretendia formar professores da Educação Básica, sem que o currículo fosse rico em disciplinas essenciais…?

Talvez esse fosse meu primeiro passo em humanas, se eu tive poucas disciplinas de exatas não posso dizer o mesmo a respeito das disciplinas da área da psicologia, todo ano era uma nova e isso de fato fazia meu ID enlouquecer querendo prestar vestibular para psicologia. Eu não tentei, fiz para pedagogia, a verdade é que apesar de eu amar educação, o motivo foi bem menos nobre, admito, a relação candidato vaga, era mais atraente do que em Psicologia.

Minha vida inteira eu gostava de várias coisas ao mesmo tempo e na hora do vestibular não poderia ser diferente, eram tantas questões com respostas parecidas que eu vivia um caso de amor em completa bigamia enquanto escolhia a resposta. Isso ainda acontece, nem sei como eu passo nas provas, escolher realmente é um problema grave que eu tenho.

Quando passei para Pedagogia, me vi mais uma vez filha da pública, só que dessa vez longe de todo o glamour do Ensino Médio, nesse meio tempo acabei alimentando algumas paixões antigas, a psicologia foi uma delas com toda certeza, vocês não têm ideia de como um amor mal resolvido pode acabar te machucando, você acha que sabe de tudo e quando vê, não sabe de nada. Muitos dos meus problemas, de não ter feito psicologia, foi que eu de fato, tenho um “dom” de ouvir o outro, e isso me frustra bastante, as pessoas me procuram, eu ouço e depois somem.

Me tornei o que meus amigos definem de “esquerdopata relax”, curtia defender todas as causas em todos os momentos, ao mesmo tempo em que brigava com os grupos quando agiam com infantilidade e egoísmo. Virei representante, conhecida entre os alunos, e me metia em confusões por conta disso, cogitei me mudar para as Ciências Sociais em uma visita ao 9º andar da UERJ, confesso que me ludibriei mais por causa da barba do rapaz do que as 10.000 palavras de ordem, que ele cuspia por minuto enquanto bebia um café no Centro Acadêmico, provavelmente foi nesse momento em que descobri minha vocação para “vender miçanga”.

Entre coordenar as disputas pelo Centro Acadêmico do 12º andar, que muitas vezes melavam, e uma resenha crítica eu acabei iniciando um curso técnico de Eletrotécnica, desisti do curso uns dois meses depois, os estágios da Pedagogia não me deixaram concluir, nossa doeu me despedir dos meus colegas de curso. Mas entre tantas desistências de fazer ou não fazer o processo de transferência interna na Universidade, meu computador acabou dando pau e eu descobri uma nova paixão entre tutoriais e sites com dicas de informática eu ia fazendo pequenos reparos no meu computador e nos computadores dos coleguinhas. Nada melhor do que uma nova paixão…

Cursar Pedagogia me fez nesses quatro anos perceber que eu quero dar aula, mas talvez eu não queira só isso, foi difícil admitir isso, principalmente porque segundo as leis da humanidade “você só deve ser uma única coisa nessa vida”. Cara, nem quando me relaciono eu consigo me relacionar apenas com uma pessoa, eu amo várias vezes ao mesmo tempo e é amor mesmo.

Esse ano resolvi fazer um curso de Informática com ênfase em programação, estou amando descobrir que “no mundo existem 10 tipos de pessoas, as que entendem binário e as que não entendem”, entendedores entenderam, de fato estou me divertindo enquanto armo na minha cabeça uma forma de “dominar” o mundo e ganhar uns trocados enquanto não passo em concurso público.

Por falar em concurso público tenho que admitir a ideia de passar, e fazer a mesma coisa durante longos 30 anos da minha vida vem me aterrorizando, eu quero, mas não sei se consigo, assim como não sei se consigo terminar algum dos meus intermináveis livros presos nas pastas do meu computador, nunca entenderei minha dificuldades de escrever finais, de concluir histórias, provavelmente isso deva ter alguma relação com o fato de eu muitas vezes ter dificuldade de enxergar o futuro, enxergar além pode ser bem assustador, então viva o agora.

O motivo de eu ter escrito isso é para mostrar quantas vezes cerceamos nossos próprios desejos, ou somos cerceados por nossos pais e até mesmo pelo Estado. Sabem o que me dá o maior medo nas reformas que acontecem no Ensino Médio, além de claro ter minha voz vigiada e castrada como professora? O fato de que cada vez mais os jovens têm uma leitura do mundo hipertextualizada, eles fazem muitas coisas ao mesmo tempo, de muitas formas.

Eu não fui a única a enfrentar esses dilemas, provavelmente não serei a última, se meu ensino médio fosse ainda mais restritivo em disciplinas eu seria ainda mais podada. Quanto mais se separa e desassociam as disciplinas, mas nos distanciamos do objetivo principal de ensinar. Não temos que racionalizar o ensino temos que o tornar atraente para que todos sintam que são capazes de se tornarem aquilo que quiserem, de desistirem e fazerem o que sentirem vontade.

Afinal não se ama uma única vez, se ama de várias formas, então se encantar por muitas coisas não é loucura, é só sua mente te dizendo que para você ser feliz, você tem que seguir aquilo que acredita. E daí se os números que usamos para programar não cabem dentro dos PDFs sociais que tanto lemos. O importante é viver longe das prisões que criamos para podar nossos desejos.

No fim acho que minha poligamia se estende a tudo em mim…

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Meu silêncio: Carta Aberta…

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Imagem Retirada do site: Cardápio Pedagógico

Escrevo uma carta aberta aos meus inevitáveis amigos, vítimas do meu silêncio…

Conservei-me no meu silêncio.

Eu quero ser egoísta, eu tenho esse direito, necessito me compreender antes de poder te entender.

Me desculpe por não te ouvir chorar, por não te perguntar coisas necessárias, me desculpa por simplesmente sumir sem avisar.

Me desculpe por não ter perguntado, como foi o início, o meio e o fim de toda essa história em que você se meteu e se perdeu em cada linha, espero que você também tenha se encontrado nesse livro chamado vida.

Eu me preocupo, mesmo no meu silêncio eu continuo me preocupando…

Reservei a mim esse direito tão inquietante de querer também me encontrar…

Acho que que fui egoísta demais, peço desculpas.

Admito que meu silencio esmagador deixou a mim mesma machucada.

Em minha defesa te digo que também precisava gritar, precisava colocar para fora tudo que sentia, eu precisava entender o que eu sentia e porque esse sentimento me machucava tanto.

Não, a culpa jamais será sua.

Não sou tão idiota a ponto de dizer que a culpa é sua, é que as vezes ouvir os outros pode te fazer sentir a pessoa mais solitária do mundo.

Ouvir o outro muitas vezes é me encontrar sem palavras, é me fazer no silêncio…

Não que eu não saiba que você gosta de mim, é só que é como se o mundo todo não te ouvisse como eu o ouço.

Era um sentimento ruim,

Uma dor bem grande para uma moça de medidas bem mediana aguentar sozinha. Então eu precisava me livrar dela antes que eu me machucasse tentando resolver seus problemas, quando não consigo resolver nem os meus mesmos.

Não que eu não pudesse, não que eu não tenha tentado, mas eu não consegui…

Em determinados momentos eu criava a ilusão que eu via sua vida da janela do meu quarto, não você não estava ali, tão pouco tão perto, mas era assim que eu comecei a enxergar, era a sua vida e não a minha, eu era uma telespectadora que ansiava por cada capítulo e me desesperava quando não conseguia te fazer enxergar seus erros.

Era realmente uma derrota, passava horas conversando para no fim você fazer a mesma coisa.

Sabe quantas vezes me travesti de sua irmã mais velha? Eu também não sei, não se preocupe é algo muito irracional para se contar.

Eu não me importo de ser sua irmã mais velha, eu sou a irmã mais velha de muita gente, por motivos óbvios.

Psicologicamente eu tenho algo de errado, esse algo de errado me faz querer proteger as pessoas até mesmo delas próprias, isso não é tão legal assim quando esquecemos que a vida não é nossa, que não podemos impedir os erros, nem prever os acertos e tudo que podemos e devemos fazer é ouvir e abraçar.

Eu não me importo, nunca me importei mesmo que por vezes eu me questionasse se eu era apenas isso, uma válvula de escape, um alguém com quem você desabafa. Mesmo que eu fosse apenas isso, eu ainda não seria apenas isso, não para mim, eu ainda seria sua irmã mais velha cheia dos inevitáveis erros e indecifráveis questionamentos internos.

Eu ainda me preocupo se as pessoas te machucam, ou se você realmente acha que não merece o amor, eu ainda penso que estamos um tanto quanto longe para eu poder te abraçar e te dizer no fim de tudo que “tudo ficará bem”, eu ainda me transporto mentalmente e me coloco em seu lugar, eu sei o quão difícil são algumas dores e por isso minha própria dor teima em me dizer que estava errada eu não devia ter me afastado.

Não se deve afastar os problemas,

Não se deve negar os erros,

Não se deve desistir por cair,

Não se deve afastar de quem se ama.

Inevitavelmente eu amo cada sorriso inesperado que você dá e cada vitória no meio do furacão.

Eu ainda vou me questionar se eu sou apenas uma bolha, uma voz, ou um abraço que você procura, vou me questionar isso dezenas de vezes ao mesmo tempo em que me questiono o motivo de estarmos tão longe.

Possivelmente te mandarei a conta do meu analista, afinal eu tenho meus muitos problemas internos, e a frase “procure um psicólogo” que eu vivo te falando faz muito sentido na minha vida ultimamente.

Att.: Juliana Marques.

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O Ponto, a Vírgula e o Mundo…

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Imagem do Filme: O Menino e o Mundo/ Alê Abreu

Estava aqui pensando a respeito das coisas que nunca termino…

Hoje tentei pela enésima vez assistir ao filme “o Menino e o Mundo”, traz uma narrativa linda, uma animação rica em detalhes, um filme lúdico que faz uma crítica ao sistema capitalista. Como já tinha dito, eu tentei, não consegui terminar de assistir a tudo, quando eu enfim terminar de me deliciar eu prometo, faço uma das resenhas loucas para o blog.

Já que o assunto são os “pontos finais”, o “terminar algo”, me pergunto os motivos de diversas vezes mergulharmos na realização de algo, mas no meio do caminho desistirmos? Será que a pedra que encontramos era grande e pesada demais ou a nossa vontade de fazer essa determinada coisa era pequena, tão pequena que nem nos importamos com a maldita pedra no meio do caminho, apenas damos meia volta e desistimos?

Detesto desistir de tentar levantar essas pedras, é claro, como devem ter percebido algumas vezes a preguiça vence e eu desisto, mas no geral acho que devemos tentar ultrapassar, pular, escalar essa pedra nem que necessitemos pedir ajuda, afinal de contas nem tudo conseguimos realizar sozinho.

Na vida tudo tem sempre uma dose de periculosidade, devo alertar que quando se trata de “pedras no caminho” essa periculosidade é algo em um nível bem alto, arrisque-se, mas seja cauteloso, não tenha medo, mas cuidado para os destroços dessa pedra não causarem danos irreparáveis em você e em outros.

Escrevendo e pensando nisso, a uns dois meses atrás eu escrevi um texto para um amigo meu, ele é 4 anos, 3 meses e 1 dia mais novo que eu, a vantagem dos amigos mais novos é que eles se tornam irmãos mais novos, segue o texto espero que gostem:

O menino que morava entre um ponto e a vírgula

Havia um menino que morava nas entrelinhas do Mundo,

Tinha uma casa entre a cidade do ponto e a da vírgula.

Morava na cidade dos parágrafos, onde os assuntos intermináveis surgiam.

Ele se perdia sempre entre todas aquelas palavras, que só pareciam aumentar…

Ele as escrevia,

Ele as escrevia como quem respirava,

Ele não sabia não parar de escrever,

Era uma compulsão, uma necessidade,

As palavras que criava, recriava e transbordava entre todas aquelas linhas, pareciam não ter fim,

Ele nunca entendeu a ousadia de um ponto ser continuativo,

Ele preferia as vírgulas, elas não deixavam seus assuntos terem fim.

Sua escrita era seu combustível, seu ar, ela o movia,

Os olhos pequenos corriam por todos os cantos,

Ele buscava a cada instante novas descobertas,

Novas palavras, sonhos, aventuras.

Ele as buscava em todos os cantos e as encontrava tão facilmente que era fácil se questionar, se eram elas quem o encontrava.

Ele não gostava muito de falar…

A grande verdade é que se ele falasse tudo que escrevia, ele iria se perder entre tantas linhas e palavras.

Ele preferia não falar,

Ele preferia pensar nas respostas longas escondidas nas entrelinhas das suas curtas frases.

Escrever era muito melhor,

Ele não precisava ser ele, podia ser outro, inventar outros…

Escrever para ele era tão natural quanto as tempestades no verão,

Ele dançava com as palavras em ritmos tão diversos que era impossível não dizer o quão bom dançarino ele era.

Ele escrevia em todos os cantos mesmo sem papel ou caneta,

Ele escreveu nas paredes abandonadas,

Escreveu nos corações desconhecidos,

Escreveu em lugares que ele nunca foi…

Ele escrevia tanto que se transformava em personagem,

Se perdia nas linhas, se transbordava ali, entre os pontos e vírgulas.

Entre o final e o recomeço…

Por Juliana M.

Para: Michael Rios.

 

 

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The End…

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Recentemente me vi no meio de turbilhões de emoções que não eram minhas, eu não lido muito bem com perdas, ironicamente, eu nunca tive um grande termino, os que eu tive eu soube superar teoricamente bem, mas resolvi buscar nos anexos dos meus sórdidos pensamentos algo para escrever sobre esse momento tão profanamente inevitável:

O mundo vai continuar a ser o mundo, mesmo se amanhã eu não estiver ao seu lado, a inexplicável rotação da Terra continuará a acontecer, o Sol ainda estará iluminando nossas manhãs, e o frio da noite ainda nos fará desejar alguém ao nosso lado, não por amor, mas por egoísmo, vamos querer o corpo alheio para aquecer o nosso, e nos envolver em uma camada de braços e abraços, sussurrando palavras indecifráveis em meio ao sono, enquanto ouvimos o batucar do coração alheio, que não nos pertence…

O vazio na cama se torna maior, o espaço antes tão pequeno se tornou uma cratera, não existe bagunça, não existe risos, não existe… Mas o correto seria que isso tudo continuasse a existir, afinal, continuamos a viver e somos a parte inteira de tudo que restou, a matéria orgânica, presente nesse corpo, ainda é a mesma de antes de tudo acontecer, o que prova que ainda é possível respirar, suspirar, andar, viver…

Encarar a vida pode ter se tornado um pouco mais difícil, afinal quando se termina com algo de forma tão abrupta e inesperada você fica sem reação, não sabe que rumo tomar, que caminho seguir, e um medo transborda nos seus olhos, sim nos seus olhos, afinal todas as possibilidades que esbarram com você naquele primeiro momento não fazem sentido algum, você ainda continua se sentindo incompleto, mesmo com todos os seus pedaços no lugar, você adquire um medo absurdo de que tudo sempre seja assim, sempre…, sempre.

A solidão parece ser um eco no meio do seu peito. As letras de música parecem ecoar na sua mente “é impossível ser feliz sozinho”, quem disse isso? Quem nos ensinou a pensar assim? Infelizmente quando se está com todos esses sentimentos “a flor da pele e qualquer beijo de novela nos faz chorar”, não conseguimos enxergar um erro mortal nessa frase, só é possível ser feliz sozinho, quando dependemos de outros para fazer/trazer nossa felicidade transformamos isso em dependência. Amar não é criar dependência, amar é ser livre é viver independente do outro, partilhando o “nós”, junto com todos os sorrisos e lágrimas, mas sem esquecer do “eu”.

E nesse desespero em que me vejo

Já cheguei a tal ponto

De me trocar diversas vezes por você

Só pra ver se te encontro

_Caetano Veloso – Você não me ensinou a te esquecer.

Dizem que os seres humanos se distinguem dos demais animais por sua racionalidade, mentira, não somos racionais principalmente quando isso envolve sexo e amor. A grande verdade é que a maioria de nós busca no outro aquilo que deveríamos encontrar em nós, sabem aquela velha frase de contos de fadas: “e se tornaram um só”? Essa frase deveria ser banida de qualquer história para ninar crianças, não deveríamos as ensinar que o amor é egoísmo, deveríamos ensinar que o amor é compartilhado.

Amar é a conjugação do verbo no plural, “amamos”. Mas e quando um dos dois não ama mais, ou esse amor não é suficiente? A hora em que o fim chega, é sempre a pior hora…

É meus caros, o fim é algo tão intenso que raramente acontece por decisão inteira, não há conversas, abraços ou beijos, tudo que resta é uma série de soluços e questionamentos sobre os motivos que levaram a àquele ponto final. É claro que tiveram motivos, mas quando é você que ouve o último adeus, é você que se acha culpado, é você que se esconde, é você que não sabe responder àquela fática pergunta: “por que terminaram? ” Meia hora após essa pergunta, um filme roda na sua mente, seus olhos transbordam e seu mundo desaba, a pergunta que deveria ter sido feita é “você está bem? ’’

Afinal ainda ontem seus corpos estavam juntos, em meio ao suor, os beijos, os afagos e os sussurros de prazer ao pé do ouvido. “Você tem certeza que está bem?” Não, não está, eu sei que não, isso tudo foi ainda ontem…

Essa sem dúvida é a pergunta mais correta, não existem motivos plausíveis o suficiente para um termino, não para quem recebe o ponto final, tudo que essa pessoa precisa nesse momento é compreender que ela não foi culpada, que o mundo vai continuar girando e que ela vai ter um abraço silencioso para aquele momento, que aquele só foi “um momento” e que vão existir inúmeros outros momentos. Afinal não importa os motivos, todos eles não vão fazer sentido algum para os corpos aquém de toda aquela história.

Não importa se foram, dias, meses ou anos, não importa e nem nunca vai importar, no momento em que o ponto final é colocado no meio de uma frase, ele corta todas as possibilidades de se saber o final da história, ele causa angústia por tudo que poderia acontecer e nunca aconteceu, ele causa medo, desespero, tristeza, ele transforma em lágrimas todas as boas lembranças e palavras.

O irônico disso tudo é que esse ponto final só se transforma em vírgula quando os dois lados dessa frase se permitem conversar, não existe relação de um só, a vida não é um monólogo, é um incansável diálogo onde criamos inúmeras conversas ao pé das amendoeiras imaginárias.

“Não vou me sujar fumando apenas um cigarro

Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom

Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval

E isso explica por que o sexo é assunto popular.”

_ Zé Ramalho, Chão de Giz

No fim tudo que resta é uma dor inconstante no meio do seu peito e por mais que se diga, “eu entendo”, tudo vai parecer não ter sentido nos próximos minutos. Sabiam que somos bem mais egoístas no “fim” do que no início? Sim, somos egoístas, aliás no “fim” ambas as partes são egoístas, ambas querem continuar e terminar aquela história por motivos individuais e que nem sempre condizem com a realidade.

No fim, o poeta realmente estava certo.

“Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.”

_Vinicius de Moraes – soneto de Fidelidade

 Era frio,

Era noite,

Era o fim,

Estávamos felizes, sentados, conversando ao pé da amendoeira, os carros passavam, as crianças corriam pelo parque, e você estava ali, me olhando, como quem olha pela última vez alguém.

O beijo de despedida aconteceu,

O último selar de lábios,

O último toque.

Eu não estava morrendo e nem você indo para outro planeta, era um adeus tão vulnerável em termos explicativos, que cheguei a me perguntar se ele realmente chegou a existir.

Toquei meus lábios,

Ouvi meu coração bater,

Respirei freneticamente,

Minha garganta secou,

Você não estava ali…

No fim tudo ficou a como sempre esteve,

Você não existia antes e nem vai existir depois…

Demorou um certo tempo para eu perceber que tudo continuava em ordem a minha volta, não me acalmei e nem quis me acalmar, busquei na ânsia de um desejo voraz outros braços para te encontrar, mas inevitavelmente me vi perdida.

Parei,

Respirei,

Percebi, não era você que eu buscava, nunca foi, sorri enquanto observava as folhas da amendoeira se espalharem por aquele parque…

Me encontrei.

*Escrito em homenagem aos meus amigos…

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O desconhecido engano…

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Ilustração: Zansky

O choro angustiante e incessante foi ouvido no alto do morro, o baque fatal levava a mulher com as mãos ensanguentadas ao chão, agarrada ao corpo do filho, mãos firmes tentavam violentamente a afastar, era apenas mais um corpo, eles a arrastaram dali a jogaram com tamanha brutalidade para longe enquanto colocavam o corpo no carro.

Quem ligaria? Quem se importaria? Era só mais um, mais um número, mais um pobre, mais um morador daquele morro, antes dele já foram tantos…

O braço estendido para o lado de fora do camburão aumentava ainda mais a dor, ele não era um objeto, era seu filho, era um ser humano que estava sendo tratado como um pedaço de qualquer coisa.

Os coturnos marcados pelo barro caminhavam de um lado para o outro, o céu antes quente se tornava frio, era noite, uma noite fria e tenra, os homens inquietos olhavam furiosos para todos os pares de olhos direcionados a si, as mãos por cima do uniforme tocando levemente a arma esperando em ansiedade pelo reforço, o choro permanecia do outro lado, logo surgia o aglomerado, ninguém andava ou se mexia, eles eram os monstros ali.

Apontaram as armas na direção dos punhos cravados e das pedras não lançadas.

A mulher ainda com as mãos manchadas tentava compreender a onde estava o erro, como aquilo poderia ocorrer? Trabalhou mais de oito horas diárias para que aquele menino chegasse aonde ela nunca chegou. Trocou plantões, fez horas extras, deixou de comer, dormiu em pé e tudo terminou assim, dessa forma, com um tiro no peito, um engano.

Uma agonia lhe consumiu mais do que em qualquer outro dia, uma agonia maior do que a de não saber como sobreviveria com aquela criança, mal tinha como se sustentar sozinha…, ironicamente, anos depois, a agonia é por não saber como sobreviverá sem aquela criança.

Mãe solteira, filha sem pais, irmã sem irmãos, mãe sem filhos, ela que era sozinha ganhou alguém e o perdeu assim dessa forma tão perversa, talvez, só talvez ela tivesse pensado que todo aquele esforço tivesse valido apena se ela o visse formado, segurando o diploma e a abraçando no fim da cerimônia, mas nada disso deixou de ser uma lembrança inexistente a sua memória, um sonho…

Os homens fardados ainda encaravam aquele corpo, mais um corpo, mais um, entre tantos números, a incerteza de não se saber quando um dia estiveram certo, fez um deles se questionar quando deixaram de se importar, quando deixaram de sentir, quando deixaram de respirar enquanto suas mãos puxavam o gatilho e davam fim a vidas.

Vidas, ela sempre chorou pelos filhos de outros, agradecia que em meio a tantas complexidades sociais, ele não ter se rendido a um sistema meritocratico que dava mais a quem já tinha muito. Ela achava que apesar de tudo ele iria reverter o sistema, que iria entrar com a cabeça erguida em alguma das empresas na qual já trabalhou pela porta da frente, que iria defender os pobres e ajudar os que necessitavam a chegar onde ele chegou, era o que ele sempre falou, era o que ele sempre fez, foi o que ela ensinou.

Engoliu todas as lembranças para se colocar de pé, caminhou com os pés apressados, ela já estava habituada a isso, sempre correndo, criou seu filho no mundo, um mundo incerto que sempre a dizia que ela não conseguiria, criou seu filho com os relógios dos patrões, com a solidão e com o medo, um medo que a fazia o esperar todos os dias acordada, um medo que não a deixava sair dos seus olhos sem um “eu te amo”, um medo que não esteve presente quando caminhou até aqueles homens.

Os encarou com um olhar devorador, eles conheciam aquele olhar, conheciam aquela fúria, por esse fato desviaram, desviaram seus olhos dos dela, pediram que ela recuasse, que se afastasse, mas ela não o fez, não teve medo, era seu filho ali, eram seus sonhos, era um pedaço de si abandonado como uma grande merda. Ela se colocou na frente deles, justamente daquele que se questionou quando eles deixaram de sentir, as mãos tremulas enluvadas não entendeu o que aquelas mãos tão calejadas faziam ao segurar sua mão e apontar a arma para o próprio peito.

Logo o tempo começou a estacionar, o silencio deu lugar a gritaria, outras armas foram direcionadas a si.

No chão estavam as horas de sono inexistentes de uma mãe que esperava acordada o filho voltar da Faculdade, estavam as lágrimas de comemoração pela Faculdade Pública, estavam os sonhos, todos os sonhos, juntos com horas de estudo e as xícaras de café, junto com o trabalho de meio período para pagar os livros, junto com o tênis furado e os bolsos vazios.

E em um mero espaço de tempo entre toda a correria que se fez junto aos gritos dos moradores locais tudo se perdeu, nada mais importava, não importa se por um engano eles atingiram seu filho ou a ela, continuaria a ser um engano se eles tivessem acertado outro, seria outra mãe ali em seu lugar, seriam outros sonhos enterrados junto a um corpo, seria outra vida perdida no alto do morro, outro completaria as estatísticas nas folhas de domingo.

Foi se perguntado por um desconhecido, que espreitava tudo por trás de uma coluna de concreto, o que eram sonhos? Justiça? Vida? Enganos?

Ele viu a hora do tiro, não foi um engano, a tal atividade suspeita do tal rapaz era dar ao morador de rua um dos sanduiches que ele vendia na Faculdade. O tal pacote, não era nada. A mãe estava lá do outro lado, como de costume, o esperando descer do ônibus para juntos irem para casa. Ela não viu carros, ela não viu nada a não ser seu filho, caído, jogado e abandonado no chão.

O desconhecido se perguntava o que dava a aqueles homens fardados o poder de se fazer justiceiro, de podar vidas, de escolher e condenar pessoas por sua classe social, por sua cor, por escolhas que não tiveram?

A pena de Morte existe nesse País, ela condena sem julgamento cada um que está fora do círculo, que se encontra fora dos padrões, que por não ter uma escolha encontra um outro caminho, condena as mães, os pais e os filhos, condena os órfãos de um Estado omisso que se esconde atrás de um de sistema excludente.

Homofobia, Opinião, Preconceito, Sem categoria, Violência

Eu quero mais amor!

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Alguém já parou para pensar no significado dessa palavra, Namastê? É uma saudação, utilizada para agradecer e pedir, comum entre os praticantes do budismo, a expressão é utilizada para demonstrar respeito, para saudar o outro, geralmente é acompanhada pelo gesto (mudra) de juntar as palmas das mãos em forma de oração, colocando-as no centro do peito.

Muitas vezes não é necessário, uma única palavra, para acompanhar esse gesto, todo o significado já se encontra enraizado ali:

‘’O Deus que habita no meu coração, saúda o Deus que habita no seu coração”.

Serei sincera, quando no meio de todo esse caos eu me deparei com a notícia do atentado, eu fiquei sem palavras, um homem armado atira e mata pessoas em uma boate latino-americana LGBT, eu fiquei realmente sem palavras certas para escrever alguma coisa, não me senti apta a isso. Para uma pessoa que ama escrever, ficar sem palavras é frustrante.

Sabe aquela sensação de agonia, aquela que parece que você engoliu um tomate inteiro? Então essa foi minha sensação.

Sabem porque pessoas procuram boates LGBTTTIS (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis, transgêneros, intersexuais e simpatizantes)? Pelo simples fato de se sentirem seguras dentro desse local.  Elas fogem para esses locais para fugir do Machismo, do Sexismo, da Homofobia… Elas vão a esses locais para poderem ser quem são, longe dos olhares criteriosos de outrem.

Segunda passada, quando eu fui assistir ao filme X-MEN e vi aqueles dois meninos fofos que nitidamente se amavam e não ”podiam” demonstrar seu amor se não no escuro do cinema, eu fiquei com um bolo em minha garganta, era esse tomate começando a ganhar forma. Eu não sei viver amor sem demonstra-lo e eu me senti impotente, aquilo era uma prisão sem grades, onde você se torna vigia de seus próprios atos e em algum momento você pode ser repreendido por isso.

Como se amar fosse crime, como se ser livre fosse prisão, como se a segurança fosse insegurança.

Insegurança. Eu conheço essa palavra no momento em que presto atenção na hora para voltar para casa, na minha roupa, na minha maquiagem. Também reconheço a insegurança quando peço para meus amigos e amigas me avisarem quando chegam em casa, seja pelo local que moram, por serem gays, negros ou por serem mulheres…

Quando você tem insegurança, você não consegue não se vê nas páginas policias, seja na moça que foi violentada, morta e esquecida em algum matagal, no menino que mal viveu a vida e foi morto por viver um amor ou no rapaz que foi morto por morar na Favela e ser tornar suspeito por sua cor. Você se reconhece e reconhece outros ali, como se todos estivéssemos inseguros. Na verdade estamos.

Eu sinto. Eu senti a dor daquela mãe ao receber a última mensagem de seu filho, a dor do rapaz que percebeu seu melhor amigo morto ao seu lado, a dor do filho que tevê seu corpo protegido por sua mãe, a dor do irmão, do pai, dos amigos. Poderia ser qualquer pessoa que eu amo ali. É como se toda essa dor estivesse entalada, essas pessoas morreram amando, por um crime de ódio.

Acho preocupante quando começam a questionar sobre a legalização de armas, em legalizar o uso de armas em locais com bebida alcoólica, em dizer que se a vítima estivesse armada ela estaria viva. Sabem o que esse discurso significa? Ele é uma fuga, além de culpar a vítima ele diz que a violência se resolve com violência, esse discurso esconde completamente que esse crime foi um crime de ódio, contra uma comunidade e que armar pessoas não iria evitar que esse crime acontecesse.

Centenas de pessoas são feridas diariamente pela homofobia, não é preciso armas, elas ferem com socos, chutes, barras de ferro, palavras.

Essa violência decorre em qualquer lugar, em igrejas, nas escolas, nas boates, na rua, em casa. Centenas de jovens são expulsos de casa por sua orientação sexual.

Centenas de pessoas são condenadas por amarem.

O pai do atirador afirmou que o filho sentia repulsa ao ver duas pessoas do mesmo sexo se beijando, então não importa se o governo e/ou a mídia americana te dizem que o cara era um muçulmano, isso não significa nada, ele era um homem americano, investigado, homofóbico, que comprou uma arma. A religião dele era o menor dos problemas, quando a tornam maior, só significa que estão direcionando o ódio a uma nova coisa: à religião muçulmana e consequentemente aos imigrantes.

Dessa forma tornam um crime de homofobia um crime político e religioso. Por falar em religião, muitos religiosos se pronunciaram eu sinceramente preferiria que os mesmos continuassem calados.

Religião, desde os meus 17 anos que não tenho uma religião específica, sou uma pessoa de muitos credos, tenho Fé, mas não curto muito os templos. Prefiro dizer que sigo o amor, o que eu penso não poderá jamais se sobrepor ao que os outros pensam. Não somos maiores que ninguém, somos feitos com os mesmos componentes orgânicos. Somos iguais. Mas o que nos torna diferentes?

A nossa sociedade se agrupa por características comuns, dessa forma monta-se grupos que se assemelham em alguns interesses. Assim sendo quando o desconhecido é apresentado a esses grupos, são impostos a eles olhares criteriosos e selecionadores, impondo uma característica que estigmatiza, rotula e que confirma a anormalidade de uns e a normalidade de outros. (Goffman,1981).

Não existe nada que nos torne melhores do que os outros, na verdade quanto mais frisamos e impomos que somos diferentes,superiores, mais nos tornamos piores, estamos apontando um gatilho para alguém. Nós somos culpados, nós selecionamos, nós julgamos, condenamos, impomos regras para as pessoas viverem.

Nesse momento, somos produtos e produtores. Estamos num ciclo. A sociedade nasce das interações entre indivíduos, mas com sua cultura, com seu saber, ela retroage sobre os indivíduos e os produz para se tornarem indivíduos humanos. O fenômeno de produto-produtor é um fenômeno constante. (MORIN, 1999 :28)

Não existe certo ou errado, simplesmente pelo fato de que a condição de normalidade é algo imposto pelo ser-humano, portanto todos somos e estamos certos e ao mesmo tempo errados. Dizer que alguém é um erro é algo completamente desumano, e sinceramente, dizer que alguém não merece viver, ser feliz, porque isso ofenderia ao seu Deus, a sua religião, é a coisa mais cruel que poderia sair da boca de alguém. Se se acredita em um Deus de amor, como os praticantes de uma determinada religião que se utiliza desse Deus podem ter tanto ódio?

Quando eu aprendi o significado de Namastê eu passei a entender que devemos ser gratos de alguma forma ao Universo, sermos gratos por aquele atentado ter nos mostrado que mesmo em meio a todo aquele ódio existe amor, sermos gratos por nosso amadurecimento em compreender que o “eu” não existe e sim o “Nós”, sermos gratos por cada pessoa que ensina seus filhos que as pessoas devem amar e respeitar seus semelhantes, sermos gratos por cada lágrimas que derramamos e por isso nos ensinar que devemos lutar para que as pessoas possam se amar sem barreiras, sem prisões, sem ser no escuro do cinema, para que possam se amar em qualquer lugar, sem medo e sem pressa.

Deixe o amor voar, deixe-o ser livre, na boca, nas mãos, nos toques sem censura. Quero amor por todos os lados, por todos os cantos.

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GOFFMAN Erving. Estigmas – Notas sobre manipulação de identidade deteriorada. Rio de Janeiro: Guanabara Koogar, 1988

MORIN, Edgar. Por uma reforma do pensamento. In. Alfredo Pena-Veja, Elimar Pinheiro do Nascimento (Org.), O Pensar Complexo – Edgar e a crise da modernidade – Rio de Janeiro, Garamond, 1999.

 

Feminismo, Filme, Filmes, Homofobia, Preconceito, Resenha, X-MEM

Uma louca analise de X-MEN Apocalipse

xmenapocalypseimaxAssistir X-MEN é sempre interessante, você nunca sabe o que te espera, eu prefiro começar esse texto não sabendo sobre como vou falar do filme. Começo dizendo que essa não era a minha primeira opção, mas a sala que exibiria Warcraft estava quebrada então X-MEN era o que tinha para hoje.

Vou dizer que o filme acabou me fazendo refletir mais sobre como as pessoas são hipócritas do que com o próprio filme, explicarei os motivos que me levaram a essa conclusão em instantes, para não tirar o foco da crítica, aliás se tiver com dinheiro sobrando não assista em 3D principalmente se for no Cinesystem do Shopping Via Brasil no RJ. Aliás essa rede de cinema possui ótimas promoções aproveitem, principalmente com a pessoa amada.

Por falar em pessoa amada, estamos a quatro dias do “Dia dos Namorados” e tinha um casal que iria assistir X-men na mesma sala que eu, e o que tem de anormal nisso? O casal não segurava nas mãos, apenas conversavam juntos, alguns sorrisos, brincadeiras, conversas nerdes sobre o enredo dos outros filmes de heróis que estreariam, mas nada de beijos e nem relação de afeto. Isso é muito estranho!

Imaginem-se nessa situação, você ir assistir um filme que fala basicamente sobre  Lutas contra qualquer tipo de preconceito existente no Mundo e você não poder demonstrar amor com uma pessoa por ela ser do mesmo sexo que você. Realmente é de se dá um nó em qualquer garganta.

A bilheteria de X-MEN alcança milhões de pessoas assim como as Hqs e séries animadas, mas as pessoas ironicamente são impedidas pelos mesmos fãs de demonstrar seu amor em público, de dizer um “eu te amo” de abraçar e se beijar, os dois meninos, que sentaram na mesma fileira que eu e meu irmão acabaram por finalmente se renderem ao amor, no escuro, longe dos olhos julgadores e inquisitórios, seria irônico se não estivéssemos a 53 anos do primeiro lançamento de X-MEN, as pessoas ainda são obrigadas a se esconderem em máscaras para não serem julgadas e condenadas a exclusão por outros que as veem diferentes.

Vamos ao filme meu povo!

Para os amantes de efeitos especiais a FOX não fez lá um trabalho grandioso nível Disney, mas deu para o gasto, o roteiro ao contrário do que eu pensava que seria foi bem elaborado, o que não significa que existiu sentido nele, já que se quebrou completamente a ordem cronológica da história, e se você for um amante da série tanto quanto eu, abstraia de sua mente tudo que sabe e conheceu sobre os X-MEN, sente na cadeira e assista, apenas assista e procure os símbolos comunistas embutidos pelo filme! Sim, possuem muitos, incluindo frases! Aproveite e procure também Stan Lee, quem sabe ele te convoca para a escola de Superdotados!

Alguém que vocês não devem procurar nesse filme é Wolverine, vocês só vão conseguir encontrar Logan e uma breve referência aos dias de seu passado antes de encontrar o professor Xavier.

Aos fãs que tinham alguma ilusão de vestígios da história original do Apocalipse, ou para os íntimos, En Sabah Nur, percam a esperança, não rolou as explicações esperadas para o viajante no tempo convertido em faraó, vulgo mentor de Nur, e muito menos para as primeiras manifestações de poderes do mutante, ao menos deixaram um vestígio de traição, mas sem o traidor.

Aos que sempre se perguntaram como Charles finalmente perderia os cabelos? Eles deram um jeito, no filme existiu um sentido não se preocupe, mas que passou bem longe da história original (a calvície do professor X nada mais é que, consequência de seus poderes). Mas nem só de cabelo vive nosso professor depressivo, Moira também estava presente nessa guerra, sem memória, com um filho e divorciada… ao menos no filme ela não deu “Adeus Charles, preciso de alguém como eu”.

Moira pode até preferir os carecas, mas eu curto os barbudos, nosso amado irlandês Michael Fassbender, o Magneto, agora é pai de família, amoroso e dedicado. (Roteiristas são tão criativos!) Infelizmente sabemos que a vida de Magneto não é fácil e não importa a merda que ele faça você vai querer o abraçar no final.

Já falei dos carecas, barbudos, falta os cabeludos, Alex Summers, o erro vivo (ou não) em continuidade, o Destrutor deveria ser o irmão mais novo de Scott e não o mais velho, mas veja pelo lado positivo o rapaz continua divinamente no vinho, mesmo após dez anos.

Mas se não curtir nenhum desses podem tentar o azuzinho, Noturno, aquela coisinha fofa filho da Mística, aliás isso fica subentendido, é aos que não conhecem a origem de Noturno (e gostaram do que foi dito no filme), não tentem conhecer porque vai bugar o celebro, roteiristas são pessoas malignas com papel e caneta na mão…

Falando em Mística, o que falar da Bela Raven Darkholme, (a personagem é tão maravilhosa quanto a atriz) nossa terrorista preferida que sempre salva o Mundo, seria interessante um filme que contasse a história dela, aliás Raven é Bi e isso explica o futuro envolvimento dela e da Tempestade que ficou subentendido nas cenas finais do filme, isso sim vai ser maneiro.

Se você é Fã da Ororo Munroe, vai ficar feliz, das histórias contadas a que mais coincide com os fatos mencionados na Hq é a dela, já que você verá muitas fases de Tempestade em um único filme, mostrando o quão ruim é a cronologia desse troço, então não se anime muito, só o suficiente para não chorar de raiva ao perceber os erros básicos que qualquer fã descobriria. Dica do dia foque em Nur a chamando de Deusa e fique muito feliz.

Super topo um filme dela com Pantera Negra!!!

Sabem o que eu gostei nesse filme além das mensagens de Comunismo e das mensagens de “seja você mesmo independente do que os outros pensam”? Eu gostei do protagonismo feminino! Tirando Mercúrio fruto de uma rapidinha do Magneto, todas as ações positivas do filme decorrem graças as heroínas e vilãs. O ideal de mulher é a Mística azul, que salvou humanos e mutantes, aquela que Raven tenta sempre esconder.

Mas falando sério agora, tirando “Dias de Um Futuro Esquecido” nenhum desses filmes de fato deveriam fazer parte da franquia, eles não seguem cronologia e muito menos o enredo das histórias originais, sinceramente eu acho desrespeitoso com os fãs que de certa forma cresceram lendo essas Hqs e aprendendo com elas. A impressão que dá é que eles jogam os personagens lucrativos nas histórias, capricham no surrealismo para justificar o gasto nos efeitos especiais.

Agora fiquei até com vontade de falar sobre os X-men! Aguardem!

*AH!!!! Se a pergunta que paira em sua cabeça é se esse filme faz sentido sem os outro? Sim faz sentido, não se sinta obrigado a assistir aos anteriores, porque esse roteiro é praticamente independente, ele possui sentido mesmo não tendo sentido. Mas se quiser assistir, assista aos dois últimos, principalmente ”Dias de Um Futuro Esquecido”.

* Aos que ficaram curiosos recomendo que procure por, “A era do Apocalipse”, vai te deixar com vontade de chorar quando se lembrar do filme, e olha que essa é a aparição dele no Universo Alternativo.

Feminismo, Violência

Eu não sou Culpada…

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Na madrugada de terça, 24 de maio, uma moça que poderia ser eu, minha irmã, amiga, conhecida ou desconhecida, qualquer uma de nós, ela foi violentada por trinta homens, que não satisfeitos com tamanha violência, ainda expuseram o vídeo em Rede Social, se vangloriando do ato, com frases como “ essa engravidou” e “foram mais de trinta”.

culpaNão se tem muito o que falar quando no dia seguinte ao ato, dia 25, a primeira visita pública ao Ministro da Educação, para se entregar uma proposta, provavelmente sobre as Escolas sem Partido, é um Estuprador confesso em Rede Nacional. Realmente não se tem muito a falar… principalmente quando o Suplente do atual Ministro da Saúde o deputado Federal Ricardo Barros (PP-PR) está preso desde fevereiro, Osmar Bertoldi, que teve a prisão decretada por cinco crimes, entre eles, estupro, agressão e cárcere privado da ex-noiva.

O Estupro, a cantada, o assédio, o cárcere, tudo isso é resultado de uma sociedade que ensina seus filhos a serem machos, a serem predadores, a não terem sentimentos e a tratarem mulheres como objetos de desejo sem vontades. Meninos são ensinados a serem abusivos, opressores, a excluir a eles mesmos, caso não caibam nessa concepção. Essa é a mesma sociedade que diz que a menina tem que ser sensível, respeitável, educada, linda, recatada e do lar, submissa aos homens.

O agressor se disfarça no comodismo dessa sociedade que não dá a nós (mulheres) direito sobre o próprio corpo. Se reclamos da cantada, eles dizem que são elogios, que é muito mimi; se reclamos das mãos, dos assédios, eles culpam nossas roupas, a bebida, a maquiagem; se somos colocadas em cárcere ou abusadas, a culpa é nossa, da nossa roupa, do horário que saímos, do local onde estávamos, por sermos infiéis, por dizermos não.

A sociedade grita na nossa cara que a Culpa não é do agressor e sim da vítima, eles nos culpam simplesmente por existirem.

Vivemos na cultura do Estupro, a prova disso é que a cada comentário que surgia criminalizando o ato, os agressores se justificavam dizendo que “a menina estava bêbada”, “se ela estivesse em casa estudando isso não ocorreria”, que “ela já estava acostumada”. A nossa sociedade banaliza tal violência assim como banaliza o racismo e a homofobia, tornando todos esses atos parte de uma rotina.

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Feminismo Empoderador (Página)

Rotina essa que faz parte da trama das novelas, onde um rapaz abusa de uma moça e é tudo romantizado, como se fosse algo normal, como se ela tivesse por obrigação gostar do ato que foi feito contra sua vontade. A televisão nos diz a cada instante como devemos ser e agir, nos dão um padrão idealizador de mulher perfeita que querem que sejamos.

Querem nos moldar, querem nos calar. Semana passada um ex BBB foi preso acusado de estupro, ao invés das pessoas culparem a ele, culparam a menina que tinha 13 anos que o “seduziu”, as reportagens ao invés de falarem dos crimes sexuais contra menores, falaram de como os “pobres” homens são enganados por menores de idades em baladas…

Ainda hoje, 26 de maio, me deparei com uma notícia na página do Coletivo de Mulheres da UFRRJ, uma das estudantes que havia sido violentada dentro do campus havia se matado. Essa estudante foi vítima não só desse agressor, como de toda uma comunidade que tentou culpabilizar a ela pelo ocorrido. Tal qual fez um professor das Ciências Sociais (UERJ), em uma postagem de uma amiga, que praticamente disse que uma mulher não pode entrar no quarto de um desconhecido.

Culpar, é isso que o Projeto de Lei 5069 pretende fazer, culpar a vítima, fazer ela se responsabilizar por algo que não teve culpa, a PL em questão, dificulta mulheres que sofreram violência a abortarem, aliás não só isso como também torna a essa criminosa, diz que ela tem que ser presa.RTEmagicC_violencia-contra-mulher.jpg

O nosso corpo não é nosso, é isso que esses babacas nos falam a cada segundo.

Não importa a idade dela, ou quem ela era, se tinha filhos ou não, se traiu o namorado ou não, se era viciada, o lugar onde se estava, nada disso importa, isso são apenas justificativas para que cada vez mais possa se culpabilizar a vítima. É isso que a nossa sociedade faz, culpa a vítima, por sua roupa, por seu batom, pela hora em que se encontra na rua, por ser mulher.

            Quem nunca tevê medo de andar sozinha na rua? Quem nunca desconfiou de um carro que misteriosamente diminuiu a velocidade no momento em que você passou por ele? Quem nunca teve seu corpo vítima dos olhares inquisitórios de homens? Quem nunca tevê medo dentro da própria Universidade? A grande realidade meus caros é que ser mulher nessa sociedade machista é praticamente nascer predestinada a sofrer com isso, como se nós, por sermos mulheres tivéssemos, que pagar uma pena por isso.

            Pena, punição… É isso nos culpam e nos penalizam, se vamos a delegacia relatar um caso de violência, nos tratam como loucas, nos olham como culpadas, impõe a nós uma outra violência que nos faz sentir uma #RaivaComRazão, aliás essa é a Tag nova levantada pela Organização Think Olga.

            prmeiroassedioA Culpa não é minha, a culpa não é nossa, a culpa não foi dela, da roupa, do lugar, da droga, a culpa é dessa sociedade que a culpou, a culpa foi dos 30 homens, pais, filhos, irmãos, a culpa foi deles, eles foram os criminosos, eles cometeram o ato, eles não se pronunciaram em defesa da vítima, nenhum deles e assim se fez 30 contra uma.

Aos homens que leram esse texto, nós não vamos nos calar, vamos gritar, não foram 30 contra uma, foram trinta contra todas nós. A cada dia sofremos com esse machismo enraizado em nossa cultura. Nós merecemos andar na rua sem nos preocupar a cada 10 segundos com quem está atrás, merecemos ser livres e não enclausuradas em um mundo que nos culpa por tudo.

 

 

Feminismo

Além da Bela, recatada e do lar…

Bem amores eu não vou ”Colar” o texto aqui, mas vou deixar o link para que vocês possam visitar minha ilustre participação junto com a Ana Luz, no blog ”Terras Frias”:

Enquanto eu lia a reportagem em questão, algo muito interessante se fez presente, Marcela não tem voz na matéria, ela é mera figurante em uma reportagem que a torna estrela. Não se tem a fala dela, sabemos quem ela é pelos olhares dos outros, pelo cabeleireiro, pelo marido, pela irmã, pela mãe, mas nunca por ela. A mulher perfeita, dona dos versos quentes do vice-presidente é também uma mulher sem voz, que não se definiu ‘’Bela, Recatada e do Lar’’; a definiram assim, e exatamente por isso ela se tornou calada, ela foi calada, e idealizada.

Clica aí para ler esse texto!

http://www.terrasfrias.com/2016/04/alem-da-bela-recatada-e-do-lar_22.html