Amor, Ansiedade, Crônica, Crônicas 2026, Minhas Crônicas, término

Cheiro de mar

Entre o mar e o entardecer
Alga marinha vá na maresia
Buscar ali um cheiro de azul
Essa cor não sai de mim
Bate e finca pé a sangue de rei

(Azul/Djavan)

Aos que vivenciam o agora, aos que se permitem amar.


O toque era quente, 

tão quente quanto uma tarde de outono, 

Se eu pudesse definir uma cor para esse momento seria amarelo.

Um amarelo pulsante, que se misturava ao vermelho, era caloroso, delirante e envolvente. 

Fazia quanto tempo?

Já perdi as contas. 

Achei ter esquecido do toque, do gosto, do cheiro…

Mas acho que não. 

Bastou o ver, para que tudo voltasse.

Quando percebi meus passos já tinham o alcançado, meu abraço o envolvido e naquele instante o estranho vazio que tanto me perseguia pareceu parar de me incomodar. 

O mundo pareceu parar de fazer eco, e ali naquele instante só restávamos nós dois, seus abraços eram quentes, suas palavras pareciam não ter nunca me deixado. Nosso riso se completou fácil, era sempre assim…

Logo o que era um simples encontro no acaso, se tornou um cálculo desajeitado do destino, reconheci a casa, o cheiro de sabonete no banheiro, o quarto tão bagunçado pela escassez de tempo da vida adulta, que nos consumia. 

Eu ri enquanto me sentava ali, admirando como tudo parecia tão igual e ainda assim tão diferente. 

O que eu sabia dele agora? Nada. 

Mas ele ainda parecia me conhecer bem, conhecer meus segredos, meus gostos, meus desejos. 

Se aproximou devagar, sua mão se perdeu na alça do meu vestido, seu rosto encostou ali, ficamos assim por minutos, nos reconhecendo, tentando entender como sempre voltávamos para aquele ponto. 

A saudade me fez apertar sua camisa, e o obrigar a me encarar, estávamos ali, as palavras saiam de forma desajeitada enquanto eu o beijava.

Logo senti suas mãos me tirando do chão. 

Minhas pernas circularam sua cintura, de repente parecia ficar surda, minha pele queimava, sua boca descia por meu dorso.

Ele nos guiava em uma dança lenta, apreciamos cada segundo como se fosse único, tatuando cada sensação que passava por nós.  

As peças de roupas foram ficando pelo chão, uma a uma, até que nada nos restasse, nem mesmo a vergonha. 

Senti o frescor do seu chiclete de menta entre meu pescoço, enquanto sua destra que envolvia minha cintura me arrancava ainda mais suspiros. 

Nos jogamos ali, despidos, unidos, afastou um cabelo do meu rosto, e eu sorri me perdendo no seu olhar, não precisávamos de palavras, o silêncio bastava, ao menos por agora, isso era suficiente. 

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