Ansiedade, cartas, Crônica, depressão, Minhas Crônicas, Opinião

A tempestade e o tempo

Tempestade: substantivo feminino Temporal; perturbação atmosférica violenta, geralmente associada à chuva forte, ao granizo, ao vento, aos trovões, raios ou nevascas: tempestade de neve

Sabe uma vez eu ouvi que não há nada mais egoísta do que pedir para uma pessoa que não quer ficar permanecer… Permanecer em um lugar onde nada basta, para que o silêncio e a dor acumulada passe, é algo que não deveria ser cogitado. É preciso ter algo, ou alguém que amenize essa tempestade que acontece aí dentro e você nem sabe explicar.

Todos te pedem para ficar, 

todos te pedem para sorrir, 

todos te pedem para continuar a caminhar…

Mas você não consegue permanecer, não consegue ouvir, não consegue se encontrar ali, das primeiras vezes que ouviu esses clamores você quis acreditar que eles compreenderam, que estariam ao seu lado e que amenizariam a sua dor. Você sorriu, secou suas lágrimas e deitou em sua cama, as promessas de que “estariam com você” serviram para te ninar naquela noite. 

Os dias que se seguiam eram sempre vazios, sem sons, em completa anestesia, não havia barulho que amenizasse o que você sentia, nada te fazia sair do lugar, era tudo tão vago e raso que as palavras deles pararam de fazer sentido, no início o vazio dava espaço a uma quietude que vez ou outra era inundada por afagos rápidos e falsas promessas de que tudo ficaria bem, mas depois se cansaram, foi rápido, foram dias e não semanas… E toda aquela sensação repentinamente afastada dava espaço para uma muito pior, a de se afogar na própria angústia. 

Os dias de tempestade sempre aparecem quando você sente que decepcionou alguém, que não foi suficiente e que não fez o suficiente para que eles permanecessem, era uma inundação que surgia de dentro de você e tomava seu ar, te fazia não respirar ou encontrar palavras, era como se a todo instante você estivesse lutando em ondas revoltas tentando buscar por alguém que segurasse sua mão e te tirasse daquele lugar. Te tirasse de você, afinal você era o mar.

De início tentou se conformar em ficar, mesmo com todo o frio que sentia, tentou permanecer da mesma forma, anestesiada com a própria dor, olhando para um horizonte que parecia não existir, esperava constantemente pelos seus momentos de afogamentos diários, se concentrar em algo já não era suficiente, desviar o foco também não, se sentiu imobilizada, nada do que fazia era dentro do planejado. 

Os passos tortos, os bocejos constantes e os tropeços em palavras era uma rotina que casualmente todos passaram a perceber sem questionar, era como se você constantemente tivesse acabado de passar por uma sessão de mergulho que deu muito errado. No fundo você os entendia, era mais fácil não questionar, suspirava de angústia em meio aos olhares tortos, quanto mais olhares recebia mais parecia não caber dentro de si mesma, era como se constantemente estivesse vestindo uma roupa muito menor que si. 

Recebia algumas mensagens vagas, assim como alguns silêncios, dormia e acordava da mesma forma, continuava a sentir o cansaço, durante as noites pensava em todos os “se” que poderiam ter ocorrido, durante os dias pensava no futuro e em tudo que poderia ter feito para que o futuro não fosse um lugar tão frio e tão desinteressante. Encarar o futuro era como encarar um mar sem saber onde encontrar terra firme. O futuro era como uma noite fria e vazia, onde não existia porto para ancorar seu navio, apenas a promessa de ondas revoltas que te iria afastar da ancoragem. 

Não é como se realmente não quisesse ficar, mas era como se não tivesse motivos para permanecer, o tempo passa diferente na sua cabeça, às vezes os dias são mais curtos do que alguns minutos.  Você repete a mesma cena algumas vezes, e tudo parece uma prisão, alguns dias são melhores do que outros, e alguns outros são como grandes tempestades. 

Nos dias de tempestade você escolhe seu abrigo, e tenta amenizar o barulho dos trovões causados pelos seus pensamentos, se recolhe da forma como aprendeu a fazer desde que descobriu sobre o silêncio que te acompanhava, você respira e o único barulho que realmente escuta é o do seu coração. Não é como se não quisesse ficar, é como se fosse uma eterna tempestade que você não tivesse controle para onde ela vai te levar. 

Nos dias de sol, você continua a respirar fundo e vê todo o estrago da tempestade, seu ânimo não é dos melhores, e angústia volta, só que dessa vez não é por decepcionar os outros, mas sim por decepcionar a si mesmo. O chão parece ser um ótimo abrigo nos dias de sol, você repassa cada passo que deu dentro da tempestade, verifica os joelhos ralados, procura por mensagens de preocupação e encara o silêncio de não saber para onde ir. 

Nunca foi sobre querer ficar ou não, mas sempre foi sobre quem quer que você permaneça, mesmo que nos dias de tempestade, onde tudo que você precisa é de um bote salva vidas que te leve para terra firme e fique com você até todos os barulhos sanarem, até o sol aparecer.

Amor, Ansiedade, cartas, Crônica, Minhas Crônicas, Opinião, silêncio

Barulho de saudade

Em algumas línguas como o espanhol Saudade significa “Nostalgia de casa”, no nosso idioma, significa “um desejo melancólico e nostálgico por uma pessoa, lugar ou coisas, que estão longe, quer no espaço, quer no tempo”

Aos desconhecidos que sentem saudade, saudade de quem se ama e de quem um dia foi a sua casa…

De repente, não mais do que de repente, tudo fica silencioso e por mais barulhento que possa ser do lado de fora, aqui dentro, tudo parece que foi invadido por um turbilhão de emoções, consigo ouvir o ritmo frenético da batida do meu coração fora de ritmo, é algo que eu já deveria ter me acostumado, prendo a respiração de maneira não intencional, sinto meu olho inundar, a sede imediatamente me acomete, quero fugir, mas me sinto preso nessa imensidão que são meus sentimentos. 

É como se tudo voltasse, menos você. Não entendo o motivo, já se passou tanto tempo, não entendo os gatilhos, na verdade eu não entendo nada, e tudo parece me afogar. A cada instante é como se eu tivesse mergulhado em um mar revolto e não conseguisse voltar para a superfície, sinto algo me puxar para baixo, sinto a água me invadindo, sinto a dor em meu peito. 

Eu sou racional demais, mas ainda assim é dessa forma como me sinto, minhas mãos tremem, e eu me sinto desprotegido, não ouço ninguém porque parece que o silêncio se apoderou de mim, ninguém me ouve, ninguém me enxerga, me sinto ainda mais encolhido, eu não queria sentir, não eu não queria sentir…

Tudo que sinto nessa hora é saudade, saudade de te ouvir sussurrar que me amava, do seu abraço, de estar ao seu lado e de brincar de pique esconde até você me encontrar e me pôr em seus braços. Parece que eu sou uma criança esperando eternamente você me encontrar, esperando você chegar e me pedir desculpas por ter demorado demais…

Nesses dias eu sinto seu toque em meus ombros, como se você ainda estivesse aqui, aperto meus olhos, me encolho no primeiro apoio que encontro, me toco para te tocar, você não estava aqui, não tinha cheiro, não tinha abraço e tudo que restou foi um soluço abafado em meio a dor de não poder te ter novamente. 

Eu sinto raiva, sinto vontade de gritar, o desespero me consome e se mistura a minha saudade é algo angustiante demais para lidar sozinho, é algo que eu não sei controlar, mordo meus lábios, aperto meus braços, estrangulo meu coração, a dor não passa, o ruído em meu ouvido também não, ainda é como se eu ouvisse sua voz ninando minhas angústias e me dizendo que tudo ficaria bem. Mas nada ficaria bem, você não está aqui. 

Queria ter conversado mais, e não ter fugido dos seus abraços, queria ter atendido quando você me chamou, queria não sentir o que sinto, ter me despedido com calma e ter te agarrado para não ir, queria poder te ter todos os dias, principalmente nesses em que me sinto tão criança, quando preciso tanto do seu colo, quando tudo que quero é me esconder na sua cama.

Com você eu não tinha medo, eu não tinha saudade, não me faltava o ar para traduzir as palavras que tanto me prendem. A garganta sempre entalada pelo medo que me sufoca, a dor súbita me afoga, eu tento, você sabe que eu tento, mas às vezes eu não consigo. 

Chove lá fora, o vento frio toca minha pele, sinto seu cheiro e tenho certeza que não é a última vez, me afundo ainda mais naquela parede, o choro vem forte, o medo de não conseguir finalmente transborda para fora, eu não tenho para onde ir, nem onde me esconder, eu sinto que quero ser forte, eu sinto que poderia ser forte, mas me falta força. 

Se eu te pedir perdão será que você me escuta? Se eu te contar segredos, será que você me abraça? Eu quero te dizer como são os dias, como são os meus dias, nem todos são bons, mas eu faço o possível para conseguir levantar e me pôr de pé, mesmo sem você. Eu tento, você sabe que eu tento. 

Eu tento me lembrar do seu sorriso, do seu toque e do seu apego, eu quero não te esquecer, não esquecer do que você me ensinou e do que eu te ensinei. As lágrimas caem com um pouco menos de força enquanto me lembro de você, enquanto me lembro de como você me abraçava para que eu permanecesse aqui, para que eu continuasse, você acreditou em mim quando nem eu mesmo acreditei, então eu tenho que continuar…

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Castelo de cartas

Aos amigos que em silêncio pedem socorro…

Se sintam abraçados.

Eu sei que você queria entender essa dor, que brotou dentro do seu peito de forma tão assustadora que é incapaz de dizer quando começou, foi tudo tão de repente…, um dia você dormiu, colocou a cabeça no travesseiro tranquilamente, e no outro, no outro seu coração parou repassando passo a passo de cada erro seu, de cada sorriso não correspondido, foi tudo abrupto demais, até para você que parecia pensar tão rápido.

Era como se lhe arrancassem o ar e retirassem junto às entranhas, a súbita vontade de gritar tomava conta de sua garganta, mas não saía som, não saía lágrima, não saía nada a não ser a dor, aquela maldita dor que te impedia de ter qualquer reação. 

Seus olhos pareciam doer mais do que o normal, sua vontade de permanecer de pé parecia desaparecer, o choro se tornou tão latente que a cada soluçar você parecia se despedaçar, não existia “eu te amo” que te fizesse sair daquele espaço onde se sentia seguro, enrolou-se nos lençóis e sufocou o primeiro grito enquanto se encolhia esperando por uma ajuda que nunca veio.

De forma súbita você ia desaparecendo, seu sorriso ia se esvaindo e deixava no lugar um leve levantar de lábios que dói cada vez que você tenta mascarar sua dor. De certa forma suas palavras também desapareciam, suas certezas iam embora a cada pequena tempestade dentro de si e aquelas malditas lembranças se tornavam tudo que restou.

Tentou engolir o choro e não adiantou, tentou esconder suas palavras e tudo que conseguiu foi às deixar sair de forma torta, era quase como se rosnasse, se defender do mundo foi a forma que encontrou para minimizar os ferimentos que ninguém enxergava, você focou naquilo que achava que era bom, que não podia criar decepções e se afundou ali, naquele lugar tão desproporcional a você, você começou a sentir que nem ali você cabia, mas era só aquilo que lhe cabia. 

Você já não se reconhecia, seu silêncio silenciava suas verdades, deixava sair apenas aquilo que queriam ouvir, respirava fundo buscando o ar, tentando se reconhecer em meio a toda aquela fantasia que criava, minimizou sua dor, estancou seus medos e se segurou em meio a incertezas, seu frágil coração vez ou outra demonstrava que aquilo não era certo, deixava cair a cada dia um pedaço do que um dia foi.

Se olhar no espelho se tornou tão complicado quanto olhar para as roupas abandonadas no fundo do armário, roupas que não lhe servem, mas que você deixava ali, se recusando a se desfazer daquelas lembranças. 

Você se encarava e não se reconhecia, o tempo passava, o choro te afogava, o soluço te impedia de respirar, era como encarar o passado e se perguntar o que ele tinha feito com você, a tortura permeava seus dias e você sentia vontade de esmigalhar aquele maldito vidro. Você repelia toda e qualquer circunstância que pudesse abalar o mundo frágil construído por você.

Olhar o relógio era uma lembrança constante que o tempo não voltava, os ponteiros não andavam na direção contrária, respirar fundo se fazia cada dia mais presente, e você não sabia se queria que o tempo passasse mais rápido ou mais devagar, afinal você parecia se afogar dentro de si mesmo, todo dia que amanhecia parecia um convite para ancorar sua vida em outro porto e modificar seu percurso. 

Era um convite constante que passava por sua cabeça, um convite que você nunca seguia, um convite repleto de incertezas em um mundo construído com cartas tortas que a qualquer vento poderia derrubar, era um mundo repleto de lembranças que iam e voltavam com a mesma velocidade que os ponteiros do relógio andavam. 

Você queria aceitar, eu sei que queria, mas era tão difícil, você tinha medo de tudo desabar com tamanha velocidade que seria impossível as colocar no lugar sozinho, afinal você realmente se achava sozinho, seu choro não era ouvido, e seus medos pareciam te trancar em uma sala deserta e escura sem portas ou janelas, ninguém parecia te ouvir, ninguém parecia ligar, era doloroso demais se encontrar sozinho em um mundo onde verdades são silenciadas e sorrisos falsos se tornam verdadeiros, você se engasgava forte com suas dores, e se despedaçava sem ninguém perceber, ancorar em outro porto exigia uma coragem que você não sabia ter. 

Você respirava fundo buscando soluções para tudo que sua mente tão ágil reproduzia de forma tão insana, não sentiu o abraço, ignorou os pedidos de calmaria e correu em direção contrária ao mundo, mentiu quando perguntaram qual era o problema, disse não quando queria dizer sim, a sensação de casa cheia e coração vazio nunca deixou você. 

Se eu fosse te dar um conselho seria para se ouvir e desabar você mesmo esse castelo de cartas tortas, desaba, ele já tá bambo a muito tempo, deixa cair as lágrimas, o medo e as incertezas, se já não te cabe mais por qual motivo continuar no mesmo lugar?

Respira devagar, você vai conseguir. Olha para trás e vê tudo que você já construiu, você tem sorte, tem mãos que vão te reerguer quando cair, pode ancorar em qualquer porto que você não vai deixar para trás suas conquistas, mas também vai levar junto suas lembranças, lembranças boas e ruins, elas são parte de quem você é, se o castelo realmente desabar, você vai juntar carta a carta e remontar aquele castelo, montar de uma forma que te agrade, que você se encaixe e se reconheça ali dentro. Vai construir e reconstruir esse castelo até você se reconhecer como parte dele.

Ansiedade, cartas, Saúde, silêncio

Escute o seu silêncio

É necessário entender silêncios, entenda seu silêncio e aprenda com ele, às vezes seu corpo grita aquilo que você tanto quer esconder. Se escute meu bem, se ouvir dói, mas é necessário. 

Não somos mais jovens, não somos crianças a opção colo não existe no nosso vocabulário, não tem para onde correr, não tem com quem chorar, não tem o que fazer a não ser tentar compreender essa dor, esse peso que nasceu bem no meio do seu peito e que de forma tão poética quase esmaga seu coração. 

Nada parece suavizar o que você sente, porque o que você sente não é algo de agora, e aquela maldita dor é tão maldita que arrasta com ela lembranças indesejadas que você nem sabia que tinha. 

Sorrir já não é suficiente, e incrivelmente uma culpa súbita por algo que você não é capaz de controlar te consome, te faltam palavras para descrever o que é essencial, te falta ânimo para fazer o que antes era tão prazeroso, te falta tempo para compartilhar os pequenos prazeres da vida. 

Não é como se você não amasse viver, não é como se você não se importasse, mas é como se o mundo não se importasse com você, como se o seu desespero fosse só seu, como se o seu silêncio fosse algo tão incomum e tão indesejado que ninguém ousa quebrar. Às vezes você queria que o quebrassem, que gritassem com você e que te dessem respostas.

Repentinamente olhar no espelho ao acordar se torna algo cansativo, se torna algo tão banal que você se nega a encarar aquilo que se tornou, mesmo com todo mundo te falando o quão incrível você é, ainda assim, você não se encara, alguma coisa dentro de você diz que tá cansada, tá cansada de tudo que sua vida se tornou, tá cansada de todos os ciclos que se repetem, de todos os medos, de todas os dias que se repetem e que durante noites tomam seus sonhos. 

Respirar se torna uma tarefa tão árdua que você se engasga com as próprias palavras e se perde em pensamentos, o tempo se torna seu inimigo e a todo instante parece que você perde um pouco mais de tempo, é uma busca desesperada por um tempo que já passou. 

Respira, respira, vai passar, sempre passa, sempre passou, na sua vida nada nunca foi fácil, e você sempre cuidou do mundo e esqueceu de você, se dê de presente um tempo, um tempo para reaprender a respirar, para reaprender a se amar, para reaprender a se ouvir. Se escute, escute seus instintos, se ame, se abrace. É o seu tempo, um tempo que voa e que não volta. 

Não aprisione seus sentimentos, porque eles se instalam e criam morada aí no seu peito, e quando menos você esperar, eles surgem, eles transbordam, eles gritam para você os libertar. Se cuide, se cuide muito bem, porque no fim de todas as contas, só você sabe o que é preciso para se curar de tantas e tantas dores. 

No fim de todas as contas, mesmo com remédios, festas, amores, ainda vai existir a dore, e essa dor, é só sua, é uma carga que ninguém pode entender além de você. Se cuide mais do que cuida dos outros. 

Fique Bem. 

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Tórrido : Saudade

Tórrido, adjetivo:. quente em excesso; ardente.

Saudade, substantivo feminino: sentimento melancólico devido ao afastamento de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à ausência de experiências prazerosas já vividas

Preciso te dizer que eu errei.

Preciso te dizer que depois que eu te vi, eu me peguei pensando no que eu ainda não tinha vivido, fantasiei nosso amor, nossa casa e nossos filhos.

Preciso te dizer que eu também já te disse “eu te amo”, mas foi um engano, você nem me ouviu, mas ainda assim, mesmo sem me ouvir, você sorriu para mim.

Eu desejei ter suas mãos na minha cintura e minhas pernas circundando a sua, desejei teus lábios colados nos meus, desejei te deixar desnudo, prensado na parede, com meus lábios descendo por teu corpo. Eu desejei tanto que um dia cedi a eles e os transformei em realidade.

Preciso te dizer que era desejo.

Eu te olhei e cobicei o que não era meu, te disse eu te amo quando ninguém ouviu. Falei que seria meu quando não pertencias a ninguém, te apertei na parede e troquei minha respiração com a sua enquanto nos beijávamos.

Era uma noite tórrida no fim das contas…, mas eu me lembro de cada instante daquele pequeno e insistente momento.

Eu disse que não passaria daquilo, menti, voltei para os teus braços enquanto aproveitava teu abraço e desabotoava teus botões, te tirei a roupa e desci meus lábios por teu corpo, te jurei mentiras enquanto rodava minha saia e te arrastava para a cama.

Você me olhou em meio a surpresa e por leves instantes eu pensei que recuaríamos, mas eu estava mais uma vez errada, você me pegou pela mão e me puxou até o colchão.

Rolamos na cama em meio ao nosso riso, trocamos nosso olhar e compartilhamos segredos sem dizer uma única palavra.

Senti tua mão na alça da minha blusa enquanto perdia mais uma vez teus lábios por meu torço. Quando dei por mim eu já estava nua tentando com minhas mãos encontrar um lugar no seu corpo enquanto te olhava do alto do seu colo, sentada em sua cintura.

Era uma visão perfeita dos seus olhos, seu corpo virou meu mapa e suas mãos naquele instante se tornaram minhas guias.

Preciso dizer que não importa o que eu te diga, tudo que vai contar é o que você me prometeu.

Eu contei cada pintinha no seu corpo, contei cada uma: da pontinha do seu nariz até a ponta do seu dedão do pé.

Quando eu acabei de contar você me olhou sorrindo, se reclinou no colchão em meio a nossa bagunça particular e me deu um beijo, não um beijo voraz que me roubava os pensamentos, mas um beijo calmo e repleto de afeto.

Eu duvidei do que sentíamos enquanto via você invertendo nossas posições.

Eu me perguntei se você me amava realmente ou se amava aquele instante em particular, e como em um passo de mágica, você pareceu ouvir minha pergunta e sussurrou no pé do meu ouvido um “eu te amo”.

No fundo parecia uma trapaça para me fazer dizer o mesmo.

Sua boca desceu por meu pescoço, até chegar nos meus seios e me arrancar gemidos, eu senti cada dente me arranhando e sugando, eu arfei e você riu sem me olhar continuando sua árdua missão em encontrar diferentes maneiras de me tirar palavras.

Eu não te disse “eu te amo”, mas amei sentir sua boca me marcando, a sensação molhada que deixava no meu corpo quente, me afoguei no prazer que só você parecia saber me dar.

Eu realmente me permiti acreditar na sua promessa: de que iria ficar, que tudo permaneceria bem, que seríamos nós dois contra o mundo.

Confesso, eu sabia que você não iria ficar e talvez eu também não quisesse isso, mas ainda assim, foi bom saber que naqueles poucos instantes em que estivemos juntos você quis ficar, ficar comigo e por mim, quis me amar e fazer de nossas ilusões realidade.

Você não mentiu, naquela fração de tempo só existíamos nós no mundo, então tudo que disse ali, naquele quarto, era verdade.

Eu achei que eu te amava, mas amava o som da sua boca me dizendo o que eu queria ouvir, me fazendo sentir o que eu nunca senti.

Eu amei a forma como você parecia me ouvir sem eu nem mesmo falar, eu amei te ouvir enquanto encostava meu ouvido no teu peito e sentia suas mãos no emaranhado dos meus cabelos.

Eu amei ouvir nossos corpos no silêncio daquele quarto.

Eu amava teu toque tentando me descobrir. Amava a forma como nossas mãos pareciam tão perfeitas juntas em meio a nossa bagunça.

Eu amava o toque dos teus lábios me falando coisas indecifráveis enquanto dançava uma valsa inquestionável com sua língua.

Amava sentir suas mãos subindo por minhas pernas, era um misto de temperaturas, me arrepiava por inteira, sentir a pressão dos teus dedos nelas, me fazendo sentir algo que eu não sabia o que era, me fazendo perder as palavras e encontrar o instinto de me manter livre para receber cada parte de você.

Eu menti. Menti mais de uma vez, eu amei por mais de uma vez naqueles poucos instantes, amei segurar seus cabelos enquanto sua boca tracejava meu corpo e me sugava, me bebendo por inteira.

Eu não queria que terminasse, não, eu não queria que terminasse, eu queria te amar do jeito que você me amava.

Amor, Ansiedade, Crônica, Minhas Crônicas, silêncio

Ansiedade: Solidão

Gatilho: Crise de ansiedade.


ho’oponopono, sinto muito, me perdoe, te amo e sou grato

O amor é um Deus de palavras profanas, que embala nossos sonhos e acalenta nossos corações. – Juliana M.


Ele proferiu palavras mundanas e se desesperou com o que sentiu, o ar que se alojava em seu ventre o impedia de respirar, era um peso que o paralisava no lugar.

Suas mãos tremulas manchavam sua pele, elas tracejavam caminhos incertos, ele se sentiu incapaz de controlar qualquer ato de seu próprio corpo, os primeiros soluços vieram de forma sôfrega, mas não tinham a intensidade de quando o ar finalmente saiu.

Quando o ar fugiu por seus lábios, ele sentiu que trouxe junto toda a sua vida, seu mundo desabou ali naquele instante, ele nem ao menos controlou tudo que saiu de dentro de si, os soluços já não cabiam dentro dele.

Quis se manter de pé, mas no momento que tudo aquilo saiu de dentro de si, saiu também seu equilíbrio, ele foi ao chão e não conseguiu mais se reerguer. É difícil para uma pessoa adulta admitir que seu chão tinha ruído e que ele tinha desabado, mas esse era o fato.

Repentinamente tudo pareceu escurecer e ele que já se via tão sozinho, se sentiu ainda mais vazio. Não conseguia sentir nada além de uma dor intensa, que se fazia presente em todo seu corpo.

Então ele resolveu mentir, mas não tinha ninguém além dele para enganar, ele mentiu para si mesmo, “vai ficar tudo bem”, ele sabia que era mentira, mas mesmo assim repetiu incansavelmente na frustrante missão de fazer tudo aquilo passar.

Não tinha mais nada para sair, tudo que restou dentro dele era o silêncio, que fazia questão de ocupar cada espaço do seu corpo. Seu silêncio era pesaroso e cheio de rancor, ele era frustrante.

Ele deu tanto de si para todos e tudo que recebeu foi o silêncio como recompensa, o peso das palavras que ele nunca falou e de todas as que já ouviu, chegaram a sua garganta e mais uma vez seu peito se encheu de uma dor, uma dor pequena que estava guardada dentro de si e que se inflamou com o seu silêncio.

O silêncio era tão assustador que ironicamente se tornava ensurdecedor, ele sentia seu peito arder e quando menos percebeu o barulho ritmado de seu coração invadiu seus ouvidos, era ainda mais assustador, era uma batida sem ritmo que se atropelava e levava junto seu corpo já tão frágil.

Ele tentou se encolher em meio a toda aquela tempestade que ele havia se tornado, sentiu o vento frio mais uma vez invadindo seu corpo, era um vento tão forte que levava a cada sopro um pouco do que restava de sua existência.

Ele não queria desistir, mas ele se sentiu encharcado pela tempestade, seus pés não tinham força para se levantar, seu peito queimava, sua garganta ardia, não restava quase nada de si, mas ainda assim ele não queria ir, ele queria ficar e sentir cada parte de tudo aquilo que ele já havia sido, ele queria que pedissem para que ele ficasse.

Em meio a inconsciência que tomava conta de todo o seu ser, ele pediu para que ao menos uma pessoa em meio a tudo aquilo o entendesse, uma, só uma. Ele implorou em meio ao devastador silêncio que o engolia.

O tempo parecia perdurar por uma eternidade, estava cansado, cansado de tudo, cansado de todos os que diziam falsamente se importar, a mágoa a todo instante crescia em meio ao seu desespero.

Sentiu um toque frio lhe apertando os braços, usou a pouca força que lhe restava para tentar se desvencilhar, era como gelo, tão frio que queimava sua pele, ele se debatia tentando se afastar.

Sentiu-se ser agarrado de forma abrupta, o corpo estava imobilizado e tudo que ele sentia era dor, era sufocante e por instantes era como estar prestes a morrer afogado, era como se ele não conseguisse alcançar a borda, era desesperador.

Ele já não tinha forças, já não tinha mais noção de tempo, só sentia dor, ele desistiu, não se debateu, se rendeu ao silêncio. O aperto não diminuía pelo contrário aumentava, ele sentiu um leve acalento em seus cabelos, era quase como se o silêncio o ninasse finalmente.

De repente seu preciso silêncio teve-se invadido por uma ritmada combinação de palavras, achou que era sua mente tentando-o enganar novamente. Deixou-se enganar, seu peito inflamado começou a seguir o ritmo daquela combinação de palavras.

“Isso, devagar…”, ele começou a entender o que significavam as palavras, o toque ainda apertado continuava, mas não era frio como o gelo, agora era quente, e ele se encolheu ali, tentando a todo custo se esquentar.

Sentiu um leve toque em seu peito lhe ajudando a guiar seu ritmo, era um toque quente, ele se agarrou desesperadamente a aquilo.

“Eu estou aqui, tá tudo bem”, ele repetiu, ele repetiu internamente que não estava sozinho, ele queria que aquilo não fosse uma mentira e por isso chorou, chorou desesperadamente porque não acreditava mais nisso, ele se engasgou novamente e tudo que saiu de seus lábios era que aquilo era uma mentira, ele estava sozinho.

“Eu estou aqui, tá tudo bem”, a voz era insistente mas sua mente também era, tudo que sua voz já enfraquecida respondia era que era mentira, pois ele estava sozinho.

Em meio a todo aquele insistente diálogo ele ouviu aquilo que precisava ouvir “eu não vou sair daqui, porque eu te amo”. Então ele chorou, chorou sua tempestade caótica e se agarrou a aquela esperança de que ao menos um alguém havia se importado e o amado.

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Carta 2: Saudade

Felipe Catto – Saga

Confesso que tenho saudade do seu corpo,

Uma saudade tão palpável que quase posso te vê na minha frente, me falando de amor com os olhos, me devorando em palavras indecifráveis enquanto reconhecia meu corpo com sua boca.

Tenho saudade de como você enlaçava nossas mãos, enquanto fazíamos das paredes do velho apartamento nossa cama.

Eu ainda sinto teu gosto na minha boca, o gosto do teu pescoço, do teu suor, do teu prazer. Sinto teu gosto enquanto sinto a pressão da parede em minhas costas e tua pele em minhas unhas.

Ainda ouço teus gemidos, consigo ver seus lábios se abrindo enquanto sentia meus dentes na tua pele, seus olhos se fechavam quase que automaticamente, você me encarava rápido e depois voltava a se perder nos meus seios.

Sinto saudade de como seus lábios ficam vermelhos e inchados e de como as pontas dos meus dedos ficam vermelhas enquanto eu me perdia no seu cheiro e sua boca se perdia em meu corpo.

Sinto saudade da sua boca e de como ela dizia coisas que eu não sabia precisar ouvir enquanto me sugava em prazer.

Sinto saudade de te perder no meu corpo, de ficar cega de prazer e de só sentir teu rastro.

Sinto saudade de te ouvir dizendo que me amava enquanto me encarava timidamente esperando que eu te dissesse o mesmo.

Sinto saudade de como eu não precisava dizer com palavras o que eu sentia, sinto saudade de como minhas palavras mudas se faziam presente por minhas pernas encontrando as suas.

Sinto saudade dos seus beijos vorazes.

Sinto saudade do teu cheiro no quarto, dos lençóis amarrotados que não fazem mais parte de nossas bagunças.

Sinto saudade das nossas conversas repentinas no meio da noite, da nossa respiração apertada e dos barulhos produzidos por nossos corpos nos fazendo lembrar da insaciável vontade de matar nossa sede.

Sinto saudade de como tínhamos facilidade de criarmos um mundo desconhecido e de como nos conhecíamos no nosso silêncio.

Sinto saudade do céu que só existe enquanto estamos juntos, das estrelas que nomeamos com nomes estranhos e dos planetas que ainda vamos conhecer.

Sinto saudade daquilo que só nós sabíamos fazer, dos nossos abraços cúmplices em meio ao nosso verão nos dias de inverno.

Ansiedade, cartas, Crônica, Minhas Crônicas, silêncio

Carta 1 – Despedida

Silêncio.

De todos os silêncios que eu poderia desejar, o seu silêncio é o pior de todos. Não percebi quando começou e não sei se um dia vai terminar.

Barulho. 

De todos os barulhos que eu esperava ouvir, o som da sua voz me pedindo para eu não voltar era o último som que eu imaginei quebrar a barreira do nosso silêncio.

Loop

Você me mandando seguir sem olhar para trás é tudo que se repete em minha memória, de forma vagarosa e cruel, é como uma janela se estilhaçando no chão.

Esquecimento. 

Não vou dizer que eu espero que se lembre de mim para todo o sempre, eu prometo que você não vai virar uma vaga lembrança, mas não tenho certeza se ainda vou lembrar do seu vago sorriso enquanto dividimos histórias que nunca vivemos. 

Lembranças. 

Me pergunto quantas lembranças de verdade conseguimos criar juntos sem desistirmos dos nossos planos?

Medo.

Confesso que eu tenho medo de te esquecer e, que talvez me esquecer não seja o seu medo. 

Verdades. 

Talvez nossas vidas se tornem melhores se não estivermos juntos. Nos machucaríamos bem menos em meio a todas as nossas expectativas. 

Mentiras. 

Toda vez que eu abrir um livro complicado que explique coisas simples, eu vou me lembrar de você, mas vou fingir não lembrar, fingir te esquecer e, ignorar todas as páginas que dizem tanto sobre você. 

Ilusão

Aceito que você possa me esquecer, mas lá no fundo eu ainda terei a ilusão de que tudo vai terminar bem de alguma forma, terminar bem pode ser que nós nunca nos encontremos novamente.

Desculpa.

Eu deveria ter cometido menos erros e pedido mais desculpas.

Expectativa. 

Eu te fiz acreditar que eu era diferente, que eu te ouviria em todas as situações, que eu te abraçaria em todos os momentos e que eu te amaria independente do que houvesse. Era verdade, mas também era mentira. Tem dias que eu não me amo, que eu não me ouço, que eu não me entendo. 

Solitude. 

Eu vivo entre muitos, gosto de vozes e de barulho, mas ainda assim sinto falta do seu silêncio que ensurdece meus momentos mais peculiares.

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Armário bagunçado

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Para uma outra criança que encontrei por aí… talvez ela seja tão bruxa quanto eu.

Tudo era uma confusão.

Não sabia o que sentia, não entendia nada que acontecia, as vezes tudo que sabia era que a incerteza eram sua única certeza;

Não contava mais quantas vezes seu riso escapou ou quantas vezes suas lágrimas surgiam sem motivo aparente.

Não entendia como respirar podia ajudar, sentir a vida se esvaindo entre sua corrente respiratória nunca ajudou.

Era pesado sentir tudo aquilo entrando e saindo de dentro de si…

Contou todas as vezes que deixou cair algo importante enquanto respirava:

Deixou cair seu coração…

Deixou cair seu equilíbrio…

Deixou cair o que acreditava ser certo.

Tudo escapou naquele espaço tão pequeno que existia entre os sentimentos e o vazio.

Sentir…

Era bom sentir, sabia que vivia assim dessa forma: sentindo.

Era ruim sentir, era devastador não poder controlar o que sentia.

Tentou guardar tudo no armário, mas era muita coisa e quase nada cabia naquele espaço tão pequeno, as portas logo cederam e tudo desmoronou em cima de si.

O ar fugiu, e tudo ficou mais turvo do que costuma ser.

Se deparou com coisas que nem ousava pensar ter guardado, havia guardado realmente muita coisa.

Encontrou seus gritos escondidos no fundo do armário.

Encontrou as palavras carregadas de sentimentos que guardou por baixo de todas as tralhas desimportantes.

Encontrou as vozes, aquelas que queria esquecer, mas que não podia negar a existência, elas se multiplicavam.

Se culpou, afinal não soube guardas as coisas dentro do armário.

Se culpou porque quando olhavam para si viam aquela bagunça toda que escapava daquele espaço tão pequeno.

Se culpou porque supostamente sua bagunça havia respingado em outras pessoas.

Era estranho, complicado e inteiramente desconfortante.

Tudo que sentia era rápido e não podia controlar, não entendia muito bem como as outras pessoas escondiam tão bem tudo dentro de seus armários.

Não entendeu quando quis se enfiar por inteiro dentro daquele espaço tão pequeno e quebrado.

Respirar doía e ninguém deveria sentir dor enquanto respirava, mas nem sempre era assim.

As vezes respirar era bom, sentir todo aquele ar correndo dentro de si era confortante, era sinal de liberdade, de vida, de história.

Queria ser como o vento, livre, entrar e sair sem pedir licença.

Queria sair sem que perguntassem o motivo, queria sentir que era vida, que era a vida que existia nos outros e em si.

Queria sentir e saber o que sentir.

Preferia pontos finais á vírgulas, não gostava de criar continuação para nada, até gostava, mas se preocupada demais com tudo, pontos finais eram rápidos emergências e não precisavam de explicação.

Era difícil entender que tudo que sentia era seu, eram suas angustias, seus medos, suas alegrias e amores, tudo era seu e de mais ninguém.

Ninguém poderia engavetar o que sentia, ou guardar nos cantos do armário aquilo que não agradava por muito tempo.

Era difícil, era dolorido, era confuso, mas também era bom, afinal as vezes é bom no meio de toda aquela bagunça que desaba sobre nós descobrirmos que lá dentro também está guardado o que somos.

É bom nos reencontrarmos, redescobrirmos o que sentimos e entender ou desentender o que nos faz chorar e sorrir.

 

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“Não me toca, por favor não me toca”,

Têm dias que é difícil se concentrar no mundo, têm dias que é difícil se entender e entender o outro.

Teve dias que eu me perguntei como seriam aquelas crianças quando crescessem. Teve dias em que eu as reencontrei.

Por favor, não me toca.

Eu sei que parece estranho, mas isso me machuca.

Dói quando você me toca, quando se aproxima demais e quando me abraça assim tão apertado. Às vezes parece que está tudo queimando aqui dentro.

Eu queria ficar para sempre no seu abraço, mas isso me machuca, e eu nem sei explicar o que sinto, então eu só espero que seja rápido e que você entenda o quanto isso me machuca.

Eu não consigo explicar, eu não consigo entender, as vezes você me faz sentir em casa, mesmo quando eu não consigo entender o que é uma casa de verdade.

Às vezes eu não sei o que falar, e falo desordenadamente sobre qualquer assunto, mas é que poucas vezes alguém tenta me ouvir.

Às vezes eu troco de assunto sem nem perceber, eu não faço de propósito, é só que é difícil pensar tão rápido e não conseguir controlar o que surge na minha cabeça, eu não consigo me controlar, eu só queria seguir em um único caminho, mas vez ou outra me perco por tantos lugares que nem sei onde estou.

Às vezes eu preciso falar comigo e não gosto que me interrompam, não gosto que não entendam que essa é minha forma de me entender. Eu até tento agir naturalmente, mas nem sempre dá, tem dias que não dá para controlar e parece que tudo que acontece faz tudo ficar ainda mais complicado.

Às vezes eu não quero falar, mas não é que eu não tenha o que dizer, é só que eu não consigo falar. NÃO CONSIGO, por favor entende. Eu só quero ficar quieto, em silêncio, sem todo esse barulho que eu causo e sem todo esse barulho que me causam.

Eu não sei se você entende, ou quão estranho deva ser você para tentar me entender, mas tudo que eu queria era não ser eu e não sentir tudo que eu sinto.

Às vezes eu não sei o que fazer, é complicado ter tantas opções e não saber para onde ir. Tudo dentro de mim parece apertar, minha cabeça fica tão bagunçada que as palavras somem e eu não consigo entender para onde vou.

Eu não gosto de aglomerações, não gosto quando tudo que tenho que fazer é conviver com um monte de gente que não fala comigo, que não me conhece, que encosta em mim sem me avisa, isso faz meu coração acelerar, eu fico atônito tentando fugir, minha garganta arde, meu corpo queima. Parece que tá todo mundo olhando para mim, eu não gosto de ser o centro de toda a atenção.

Tem dias que eu não sei o que sinto por você, não sei se gosto ou não de você, não gosto de como você insiste em ficar perto de mim, não gosto de gostar de ficar perto de você.