Crônica, Opinião, Preconceito, Racismo, Violência

O desconhecido engano…

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Ilustração: Zansky

O choro angustiante e incessante foi ouvido no alto do morro, o baque fatal levava a mulher com as mãos ensanguentadas ao chão, agarrada ao corpo do filho, mãos firmes tentavam violentamente a afastar, era apenas mais um corpo, eles a arrastaram dali a jogaram com tamanha brutalidade para longe enquanto colocavam o corpo no carro.

Quem ligaria? Quem se importaria? Era só mais um, mais um número, mais um pobre, mais um morador daquele morro, antes dele já foram tantos…

O braço estendido para o lado de fora do camburão aumentava ainda mais a dor, ele não era um objeto, era seu filho, era um ser humano que estava sendo tratado como um pedaço de qualquer coisa.

Os coturnos marcados pelo barro caminhavam de um lado para o outro, o céu antes quente se tornava frio, era noite, uma noite fria e tenra, os homens inquietos olhavam furiosos para todos os pares de olhos direcionados a si, as mãos por cima do uniforme tocando levemente a arma esperando em ansiedade pelo reforço, o choro permanecia do outro lado, logo surgia o aglomerado, ninguém andava ou se mexia, eles eram os monstros ali.

Apontaram as armas na direção dos punhos cravados e das pedras não lançadas.

A mulher ainda com as mãos manchadas tentava compreender a onde estava o erro, como aquilo poderia ocorrer? Trabalhou mais de oito horas diárias para que aquele menino chegasse aonde ela nunca chegou. Trocou plantões, fez horas extras, deixou de comer, dormiu em pé e tudo terminou assim, dessa forma, com um tiro no peito, um engano.

Uma agonia lhe consumiu mais do que em qualquer outro dia, uma agonia maior do que a de não saber como sobreviveria com aquela criança, mal tinha como se sustentar sozinha…, ironicamente, anos depois, a agonia é por não saber como sobreviverá sem aquela criança.

Mãe solteira, filha sem pais, irmã sem irmãos, mãe sem filhos, ela que era sozinha ganhou alguém e o perdeu assim dessa forma tão perversa, talvez, só talvez ela tivesse pensado que todo aquele esforço tivesse valido apena se ela o visse formado, segurando o diploma e a abraçando no fim da cerimônia, mas nada disso deixou de ser uma lembrança inexistente a sua memória, um sonho…

Os homens fardados ainda encaravam aquele corpo, mais um corpo, mais um, entre tantos números, a incerteza de não se saber quando um dia estiveram certo, fez um deles se questionar quando deixaram de se importar, quando deixaram de sentir, quando deixaram de respirar enquanto suas mãos puxavam o gatilho e davam fim a vidas.

Vidas, ela sempre chorou pelos filhos de outros, agradecia que em meio a tantas complexidades sociais, ele não ter se rendido a um sistema meritocratico que dava mais a quem já tinha muito. Ela achava que apesar de tudo ele iria reverter o sistema, que iria entrar com a cabeça erguida em alguma das empresas na qual já trabalhou pela porta da frente, que iria defender os pobres e ajudar os que necessitavam a chegar onde ele chegou, era o que ele sempre falou, era o que ele sempre fez, foi o que ela ensinou.

Engoliu todas as lembranças para se colocar de pé, caminhou com os pés apressados, ela já estava habituada a isso, sempre correndo, criou seu filho no mundo, um mundo incerto que sempre a dizia que ela não conseguiria, criou seu filho com os relógios dos patrões, com a solidão e com o medo, um medo que a fazia o esperar todos os dias acordada, um medo que não a deixava sair dos seus olhos sem um “eu te amo”, um medo que não esteve presente quando caminhou até aqueles homens.

Os encarou com um olhar devorador, eles conheciam aquele olhar, conheciam aquela fúria, por esse fato desviaram, desviaram seus olhos dos dela, pediram que ela recuasse, que se afastasse, mas ela não o fez, não teve medo, era seu filho ali, eram seus sonhos, era um pedaço de si abandonado como uma grande merda. Ela se colocou na frente deles, justamente daquele que se questionou quando eles deixaram de sentir, as mãos tremulas enluvadas não entendeu o que aquelas mãos tão calejadas faziam ao segurar sua mão e apontar a arma para o próprio peito.

Logo o tempo começou a estacionar, o silencio deu lugar a gritaria, outras armas foram direcionadas a si.

No chão estavam as horas de sono inexistentes de uma mãe que esperava acordada o filho voltar da Faculdade, estavam as lágrimas de comemoração pela Faculdade Pública, estavam os sonhos, todos os sonhos, juntos com horas de estudo e as xícaras de café, junto com o trabalho de meio período para pagar os livros, junto com o tênis furado e os bolsos vazios.

E em um mero espaço de tempo entre toda a correria que se fez junto aos gritos dos moradores locais tudo se perdeu, nada mais importava, não importa se por um engano eles atingiram seu filho ou a ela, continuaria a ser um engano se eles tivessem acertado outro, seria outra mãe ali em seu lugar, seriam outros sonhos enterrados junto a um corpo, seria outra vida perdida no alto do morro, outro completaria as estatísticas nas folhas de domingo.

Foi se perguntado por um desconhecido, que espreitava tudo por trás de uma coluna de concreto, o que eram sonhos? Justiça? Vida? Enganos?

Ele viu a hora do tiro, não foi um engano, a tal atividade suspeita do tal rapaz era dar ao morador de rua um dos sanduiches que ele vendia na Faculdade. O tal pacote, não era nada. A mãe estava lá do outro lado, como de costume, o esperando descer do ônibus para juntos irem para casa. Ela não viu carros, ela não viu nada a não ser seu filho, caído, jogado e abandonado no chão.

O desconhecido se perguntava o que dava a aqueles homens fardados o poder de se fazer justiceiro, de podar vidas, de escolher e condenar pessoas por sua classe social, por sua cor, por escolhas que não tiveram?

A pena de Morte existe nesse País, ela condena sem julgamento cada um que está fora do círculo, que se encontra fora dos padrões, que por não ter uma escolha encontra um outro caminho, condena as mães, os pais e os filhos, condena os órfãos de um Estado omisso que se esconde atrás de um de sistema excludente.

Feminismo, Filme, Filmes, Homofobia, Preconceito, Resenha, X-MEM

Uma louca analise de X-MEN Apocalipse

xmenapocalypseimaxAssistir X-MEN é sempre interessante, você nunca sabe o que te espera, eu prefiro começar esse texto não sabendo sobre como vou falar do filme. Começo dizendo que essa não era a minha primeira opção, mas a sala que exibiria Warcraft estava quebrada então X-MEN era o que tinha para hoje.

Vou dizer que o filme acabou me fazendo refletir mais sobre como as pessoas são hipócritas do que com o próprio filme, explicarei os motivos que me levaram a essa conclusão em instantes, para não tirar o foco da crítica, aliás se tiver com dinheiro sobrando não assista em 3D principalmente se for no Cinesystem do Shopping Via Brasil no RJ. Aliás essa rede de cinema possui ótimas promoções aproveitem, principalmente com a pessoa amada.

Por falar em pessoa amada, estamos a quatro dias do “Dia dos Namorados” e tinha um casal que iria assistir X-men na mesma sala que eu, e o que tem de anormal nisso? O casal não segurava nas mãos, apenas conversavam juntos, alguns sorrisos, brincadeiras, conversas nerdes sobre o enredo dos outros filmes de heróis que estreariam, mas nada de beijos e nem relação de afeto. Isso é muito estranho!

Imaginem-se nessa situação, você ir assistir um filme que fala basicamente sobre  Lutas contra qualquer tipo de preconceito existente no Mundo e você não poder demonstrar amor com uma pessoa por ela ser do mesmo sexo que você. Realmente é de se dá um nó em qualquer garganta.

A bilheteria de X-MEN alcança milhões de pessoas assim como as Hqs e séries animadas, mas as pessoas ironicamente são impedidas pelos mesmos fãs de demonstrar seu amor em público, de dizer um “eu te amo” de abraçar e se beijar, os dois meninos, que sentaram na mesma fileira que eu e meu irmão acabaram por finalmente se renderem ao amor, no escuro, longe dos olhos julgadores e inquisitórios, seria irônico se não estivéssemos a 53 anos do primeiro lançamento de X-MEN, as pessoas ainda são obrigadas a se esconderem em máscaras para não serem julgadas e condenadas a exclusão por outros que as veem diferentes.

Vamos ao filme meu povo!

Para os amantes de efeitos especiais a FOX não fez lá um trabalho grandioso nível Disney, mas deu para o gasto, o roteiro ao contrário do que eu pensava que seria foi bem elaborado, o que não significa que existiu sentido nele, já que se quebrou completamente a ordem cronológica da história, e se você for um amante da série tanto quanto eu, abstraia de sua mente tudo que sabe e conheceu sobre os X-MEN, sente na cadeira e assista, apenas assista e procure os símbolos comunistas embutidos pelo filme! Sim, possuem muitos, incluindo frases! Aproveite e procure também Stan Lee, quem sabe ele te convoca para a escola de Superdotados!

Alguém que vocês não devem procurar nesse filme é Wolverine, vocês só vão conseguir encontrar Logan e uma breve referência aos dias de seu passado antes de encontrar o professor Xavier.

Aos fãs que tinham alguma ilusão de vestígios da história original do Apocalipse, ou para os íntimos, En Sabah Nur, percam a esperança, não rolou as explicações esperadas para o viajante no tempo convertido em faraó, vulgo mentor de Nur, e muito menos para as primeiras manifestações de poderes do mutante, ao menos deixaram um vestígio de traição, mas sem o traidor.

Aos que sempre se perguntaram como Charles finalmente perderia os cabelos? Eles deram um jeito, no filme existiu um sentido não se preocupe, mas que passou bem longe da história original (a calvície do professor X nada mais é que, consequência de seus poderes). Mas nem só de cabelo vive nosso professor depressivo, Moira também estava presente nessa guerra, sem memória, com um filho e divorciada… ao menos no filme ela não deu “Adeus Charles, preciso de alguém como eu”.

Moira pode até preferir os carecas, mas eu curto os barbudos, nosso amado irlandês Michael Fassbender, o Magneto, agora é pai de família, amoroso e dedicado. (Roteiristas são tão criativos!) Infelizmente sabemos que a vida de Magneto não é fácil e não importa a merda que ele faça você vai querer o abraçar no final.

Já falei dos carecas, barbudos, falta os cabeludos, Alex Summers, o erro vivo (ou não) em continuidade, o Destrutor deveria ser o irmão mais novo de Scott e não o mais velho, mas veja pelo lado positivo o rapaz continua divinamente no vinho, mesmo após dez anos.

Mas se não curtir nenhum desses podem tentar o azuzinho, Noturno, aquela coisinha fofa filho da Mística, aliás isso fica subentendido, é aos que não conhecem a origem de Noturno (e gostaram do que foi dito no filme), não tentem conhecer porque vai bugar o celebro, roteiristas são pessoas malignas com papel e caneta na mão…

Falando em Mística, o que falar da Bela Raven Darkholme, (a personagem é tão maravilhosa quanto a atriz) nossa terrorista preferida que sempre salva o Mundo, seria interessante um filme que contasse a história dela, aliás Raven é Bi e isso explica o futuro envolvimento dela e da Tempestade que ficou subentendido nas cenas finais do filme, isso sim vai ser maneiro.

Se você é Fã da Ororo Munroe, vai ficar feliz, das histórias contadas a que mais coincide com os fatos mencionados na Hq é a dela, já que você verá muitas fases de Tempestade em um único filme, mostrando o quão ruim é a cronologia desse troço, então não se anime muito, só o suficiente para não chorar de raiva ao perceber os erros básicos que qualquer fã descobriria. Dica do dia foque em Nur a chamando de Deusa e fique muito feliz.

Super topo um filme dela com Pantera Negra!!!

Sabem o que eu gostei nesse filme além das mensagens de Comunismo e das mensagens de “seja você mesmo independente do que os outros pensam”? Eu gostei do protagonismo feminino! Tirando Mercúrio fruto de uma rapidinha do Magneto, todas as ações positivas do filme decorrem graças as heroínas e vilãs. O ideal de mulher é a Mística azul, que salvou humanos e mutantes, aquela que Raven tenta sempre esconder.

Mas falando sério agora, tirando “Dias de Um Futuro Esquecido” nenhum desses filmes de fato deveriam fazer parte da franquia, eles não seguem cronologia e muito menos o enredo das histórias originais, sinceramente eu acho desrespeitoso com os fãs que de certa forma cresceram lendo essas Hqs e aprendendo com elas. A impressão que dá é que eles jogam os personagens lucrativos nas histórias, capricham no surrealismo para justificar o gasto nos efeitos especiais.

Agora fiquei até com vontade de falar sobre os X-men! Aguardem!

*AH!!!! Se a pergunta que paira em sua cabeça é se esse filme faz sentido sem os outro? Sim faz sentido, não se sinta obrigado a assistir aos anteriores, porque esse roteiro é praticamente independente, ele possui sentido mesmo não tendo sentido. Mas se quiser assistir, assista aos dois últimos, principalmente ”Dias de Um Futuro Esquecido”.

* Aos que ficaram curiosos recomendo que procure por, “A era do Apocalipse”, vai te deixar com vontade de chorar quando se lembrar do filme, e olha que essa é a aparição dele no Universo Alternativo.

Opinião

Aos vinte….

aos vinte e poucos

Ando meio desligado

Eu nem sinto meus pés no chão

Olho e não vejo nada

Eu só penso se você me quer

( Rita Lee / Arnaldo Baptista / Sérgio Baptista)

 

 

 

 

O tempo realmente é algo muito relativo, o ciclo de vinte quatro horas passa tão rápido que se quer tenho coragem de continuar a olhar o relógio em meu pulso, nunca compreendi essa medida tão irracional de se contar a vida, tenho medo de que no próximo ciclo eu permaneça aqui parada, sem entender, sem me descobrir, sem terminar tantas das muitas coisas que eu prometi a mim mesma…

O eco do relógio, tic tac, parece me dizer o quão tarde está para novas escolhas, tenho medo que tudo tenha sido errado, abandono pela metade tudo que já comecei simplesmente para o desafiar, a impressão de que o tempo não significa nada se enraíza em nossos corações ao mesmo tempo em que o medo que tudo que fizemos não signifique nada.

Aos vinte nos escondemos, corremos, desafiamos o mundo sem nem sair do lugar, o mais importante se torna fincar raízes mesmo sabendo que você não permanecerá ali para sempre, você tem objetivos, quer ser lembrada pelo que você se tornou, o medo do esquecimento nunca pairou em sua mente quanto nessa época, você tem vinte só vinte, mas já depositaram sobre si tantas metas que tudo que deseja é que não caia pelo meio do caminho, mas se cair espera que tenha ao menos um alguém ali do seu lado.

Quando se chega aos vinte, você não compreende metade do mundo, nada é tão simples do que um dia foi aos dez, sua ansiedade dobrou, sua impaciência perante ao mundo se tatuou nos seus pés inquietos, sua mochila de viajem está sempre pronta para novas aventuras, mas você não tem mais tempo, você corre sem nem ao menos sair do lugar, aos vinte você já cansou de tentar ser aquilo que não era, aos vinte metade de você já foi inventada, a outra metade continua te dizendo que falta muito, que tá tudo errado, que é necessário construir algo novo.

Os gritos que ecoavam em sua mente desde que se era criança, não se encontram mais ali, você não os deixa se fazer presente, você encara o mundo por si mesmo pois já cresceu e por isso não os ouve, quando se chega aos vinte você percebe que a pior burrada que se fez, foi se tornar surdo…

Aos vinte você percebe o verdadeiro significado da palavra década, você passa a odiá-la, você diz constantemente que as pressões do mundo caíram sobre você, que sua perfeição na verdade é imperfeição, você se olha mil vezes no espelho antes de sair de casa.

Aos vinte percebemos o quão crianças ainda somos e o peso de nossas responsabilidades, e pela primeira vez em duas décadas você não quis ser adulto. Seu único sonho nesse momento era se deparar com a máquina do tempo, voltar aos anos 2000 e se esconder embaixo da cama dos seus pais…

Aos vinte eu comecei a olhar o relógio não como um inimigo, mas como um aliado, minha rotina atarefada contava os minutos para o fim daquele turno, não conseguia contar as constantes vezes em que rasguei os rótulos de menina boazinha e mesmo assim ainda precisava correr para o colo dos meus pais, como se o tempo nunca tivesse passado.

Quanto se chega as duas décadas você acha que já viveu de tudo e ao mesmo tempo acha que não viveu nada, você percebe suas imperfeições e suas qualidades, você quer jogar tudo para o alto mas tem medo de o fazer, quando se tem vinte anos você percebe que nada é para sempre, você se olha no espelho e percebe o quanto cresceu e que nada disso foi suficiente para se sentir inteiro.

Aos vinte o mundo é pequeno demais para você, existem muitas pessoas, mas nenhuma delas parece te compreender, aos vinte você grita sem soltar um ruído, tudo que você precisa é que alguém te ouça no seu silêncio que diga para não desistir, que se cair vão te apoiar, tudo que você precisa é não estar sozinho no meio da multidão…

Texto de Juliana Marques (publicado no dia 05 de agosto de 2015)

Opinião, Sem categoria

Aos 18 anos

 

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Quando se tem dezoito anos, você pensa que tudo que quer é ganhar o mundo, viajar com uma mochila nas costas, desbravar rotas até então desconhecidas além da casa da sua avó em outro estado, mas ai…, bem ai você descobre que você tem que fazer o vestibular…, fazer uma opção sobre o que você quer ser quando crescer…, alguém sabe o que essa escolha significa?

Quando se tem dezoito anos tudo que você menos quer é se vê preso a uma rotina, você quer sair, namorar, beijar na boca, ir pra festas, ou só sentar no sofá e assistir aos clássicos no telecine, mas as coisas não eram bem assim, tinha que existir esse tal vestibular, que segundo o MUNDO, decidiria o que eu tinha que ser quando crescesse, eu já me sentia crescida, eu já tinha escolhas, eu tinha dezoito anos.

Fala sério, eu queria ser tanta coisa ao mesmo tempo:

Ser modista, mesmo detestando moda.

Ser Gastrônoma, mesmo minha mãe não deixando eu chegar perto das panelas.

Ser matemática, mesmo não lidando muito bem com os números.

Ser engenheira, como eu amo embrenhar entre os fios e peças, mesmo que as vezes, só as vezes eu me perca no meio deles e perca eles no meio da bagunça.

Ser mochileira e me perder no mundo, conhecer mil lugares, dormir olhando pro céu, mesmo sabendo que terei que voltar no dia seguinte…

Queria ser tanta coisa, e mesmo assim aos dezoito anos escolhi ser pedagoga, não me arrependo da escolha, mas não foi uma escolha única, acabei percebendo que queria ser mais coisas do que eu realmente poderia ser, queria ser escritora, psicóloga, roteirista, cronista. Queria fazer minhas escolhas e não deixar ninguém fazer por mim…

Quando se tem dezoito anos você acha que todas as escolhas têm que ser a certa, acabando por não perceber que errar é a coisa mais formidável de nossa existência, quando erramos conhecemos caminhos, conhecemos pessoas, conhecemos o que não queremos!

Quando se erra, estamos derrubando todos os pinos do boliche, estamos vivendo, estamos caindo e correndo ao mesmo tempo, o erro vem junto com todas aquelas emoções contraditórias que não devemos sentir, mas acabamos sentindo:

O medo de não agradar alguém,

A vontade de fugir de uma realidade,

A pressa em ser alguma coisa,

A curiosidade de se alcançar um caminho,

A insistência em apenas querer vencer uma corrida interminável contra a vida.

Não importa o motivo, o erro vai sempre existir, principalmente quando se tem dezoito anos, a vida é tão ambígua que o maior erro dela se torna não errar.

Mas o quê isso tudo tem a ver com o fim da minha graduação? É simples as inúmeras perguntas que fiz entre o primeiro e o oitavo período, me fizeram ter a consciência que eu era completamente inacabada, coisa de Pedagoga…

Quando estava na metade do curso, estava louca para me livrar daquilo tudo, esquecer as paredes cinzas da minha floresta de pedra, mas me lembro que alguém me falou que aquela de longe era a pior sensação, a pior de todas é quando você termina, você termina e aí? O que acontece? O que você vai fazer?

Você se sente perdido, bate um medo inexplicável, um medo de errar e não conseguir fazer metade das coisas que você pensou em fazer ao longo da graduação, você tem medo de se prender, de crescer, de virar adulta finalmente, tem medo da liberdade, tem medo de cair e não ter quem te levante…

E o medo, o mesmo medo de antes da faculdade, o medo que me levou a cursa-la é o mesmo medo que eu sinto quando tudo terminou…

Texto de Juliana Marques (originalmente postado no Meu Inexplicável Mundo em 31/07/2015)

 

Homofobia, Sem categoria

Opção

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Já viram a lua hoje? Não, eu não quero falar da lua cheia, apesar de ter sido uma notícia TOP, eu realmente não quero falar nela, isso não é uma opção caros leitores, isso é uma realidade, não me renderei a essa lua duplamente cheia, onde os cientistas discutem sobre o motivo da nomeação de lua azul, se eles não se acertaram muito bem, quem sou eu para dissertar sobre isso…

Mas já que eu falei sobre opção, você realmente sabe o significado dela? Pois bem, opção é o ato, faculdade ou efeito de optar; escolha, preferência… Eu nunca entendi porque algumas pessoas utilizam opção para tantas coisas onde não há opção:

Você não tem a opção de escolher outra família mesmo quando sente vontade de mandar a casa com todos dentro para o espaço…

Assim como, você não escolhe de quem gosta, classe social, cor, aparência estética.

Bem você não escolhe, mas as vezes parece que escolhem por nós:

Ouvia-se os gritos,

Ninguém respondeu,

Silêncio,

Era um menino conhecido,

Meu amigo,

Seu filho, irmão, vizinho…

Suas roupas foram rasgadas,

Havia sangue,

Ele não queria, claro que não queria…

Ele não teve escolha…, mesmo as pessoas falando que havia,

Mesmo que ele pedisse, ajoelhasse, clamasse, as coisas nunca mudaram.

Ele não compreendia, ele gritava, se desculpava, mesmo não fazendo nada de errado.

Fazendo tudo da forma como todos queriam, que diziam ser o certo.

Mas o que era certo?

As roupas, as falas, os gostos, tudo era controlado, ele nem sabia quem era.

Ele tentava, mas não dava certo.

Ele não sentia, não conseguia gostar.

Sentiu angustia, medo, dor…

Sentiu tudo…, menos o que deveria sentir de verdade amor.

Ele odiou até mesmo quem deveria amar,

Odiou a si mesmo por não conseguir sentir algo diferente.

Odiou as palavras de Fé direcionadas a ele,

Todos o recriminavam, tentavam o curar,

Ele não era doente,

Não veio com erro, ou rótulo de validade vencido,

Mas mesmo assim, ele pedia, da forma sempre foi ensinado: Perdão,

Ele nem sabia o porquê mas pedia, pedia para mudar, mas nunca mudava,

Ele nem ao menos pensou que talvez o errado fosse certo, e por isso nunca foi atendido.

Talvez tenha pensado…,

Talvez não tenha pensado,

Ele não aguentava, por mais que pensasse que podia ser certo, todos pensavam que era errado.

Ele se jogou, se machucou, se feriu…

E finalmente pensou que poderia viver o seu errado sem ninguém lhe dizer o que era certo.

Texto de Juliana Marques (publicado no Meu Inexplicável Mundo em 30/07/2015)

Homofobia, Opinião

Suicídio do Nós.

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De tudo restou-lhe o nada,

Restou o silencio em meio as gotas de chuva em seu telhado,

Restou-lhe conforma-se com o silêncio já quem nem suas próprias palavras ele conseguia escutar.

Mas mesmo assim gritou, não deu muito certo, estava tão deserto que o eco de sua voz o assustou…

Restou-lhe o desespero em se ver sozinho, desesperado, imerso na solidão, depois de tanto tempo não bastava apenas enxergar-se…

Ligou a televisão e viu a reprise dos dias em que as ruas estavam lotadas,

Correu na janela, mas as ruas ainda estavam vazias,

Negou-se a acreditar que nunca se importou com os que estavam ali,

as vezes nos abrigos outras no relento.

Pegou seu pequeno aparelho telefônico, seu único contato com o mundo…

Mas do outro lado da linha ninguém estava para escuta-lo.

Ligou o computador estavam todos conectados e ao mesmo tempo tão desligados,

Será que não sentiriam saudade?

Restou-lhe apenas a si e isso não bastou.

Deitou-se no chão e fechou os olhos.

Restou-lhe apenas as lembranças de um tempo de perfumes e abraços,

Um tempo sem tempo para acabar, mas que mesmo assim acabou.

Um tempo que durou mais do que uma ligação telefônica,

Ou uma conversa nas redes sociais,

Sentiu saudade do aperto, das risadas, de sentir-se quente e vivo em meio ao toque humano,

Não queria ser separado pela fria tela de um computador,

Ou pelas mensagens curtas e automáticas de um sms,

Ele queria ouvir um bom dia de novo,

E esbarrar em estranhos,

Queria paixões vivas além das manipulações de imagens,

Queria ver os rostos e toca-los,

Queria escorregar e errar sem consultar um corretor ortográfico,

Queria sentar no chão e conversar com os que ali estavam,

Queria ouvi-los e ser ouvido,

Queria a imperfeição e os desejos de uma tarde de verão,

Queria que os outros sentissem falta também…..

Texto de: Juliana Marques