Saúde, Sem categoria

Comer ou correr? Eis a questão…

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Comida Rápida, Fast Food, a maioria de nós ao menos uma vez já se rendeu a esses pecaminosos pedaços de carne com molho especial e pão, muito pão amassado, praticamente espremido em uma caixa, afinal na correria de nossos dias tudo que queremos é algo rápido, gostoso e barato…

                Raramente percebemos o quê a ingestão desses alimentos faz ao nosso corpo, achamos que as espinhas são do calor, que a gordura a mais é puramente normal, que a dor na região abdominal é causada por tudo menos pela comida, sem falar que até mesmo a promoção mais barata do podrão no fim da rua pode nos causar um rombo monumental no fim do mês e uma barriguinha indesejada e tudo isso por causa daquela vontade de consumir a imagem meramente ilustrativa.

Algumas coisas que podem ser observadas antes de dar aquela mordida no pão de hambúrguer e se melecar todo no molho especial:

  1. Os altos índices de gordura e colesterol o que acaba muitas vezes propiciando doenças arteriais.
  2. Pouquíssimas fibras o que pode prejudicar o funcionamento do seu intestino. (ou seja você passa a dar lucros a duas empresas ao mesmo tempo a de Fast Food e a de Iogurte)
  3. Sal, muito sal e ele não tá presente só na comida mas também no refrigerante e na maioria dos produtos instantâneos, (Miojooooo nãooooo, a salvação dos universitários falidos, que não tem dinheiro para Fast Food ou que chegou atrasado em algum lugar, ao menos compartilhamos da pressão alta.)
  4. O consumo excessivo desses alimentos favorece a obesidade, sabe aquela gordurinha, aquele gasto com a academia, aquelas dietas malucas, tudo ficaria mais fácil se o fast food, o miojo e a coca cola e todo aquele balde calórico não estivessem no meio do caminho.
  5. A obesidade infantil.
  6. A ingestão rápida demais de alimentos grandes demais, propicia além daquela dor maldita lá no fundo da alma uma série de problemas intestinais.
  7. A procedência duvidosa de muitos produtos não só das famosas redes de Fast Food como dos podrões de esquina.

Mas porque eu estou insistindo em um assunto sobre comida? Ainda mais um assunto que nós já estamos cansados de saber, afinal a algumas semanas até mesmo a OMS (Organização Mundial de Saúde) se pronunciou quanto ao consumo de carne e o quão nocivo ela é ao nosso corpo podendo propiciar uma série de doenças, principalmente o Câncer.

                Voltemos ao assunto e aos motivos de eu ter escolhido esse assunto hoje, não sei se vocês sabem, mas para se ter aquela boa e velha carne grelhada e malpassada na churrasqueira é necessário desmatar e consumir um valor absurdo de água, a grande verdade é que se não consumíssemos carne provavelmente não enfrentaríamos boa parte dos problemas ambientais que temos hoje, boa parte eu não falei todos, jamais…

                Quando eu terminei a faculdade eu acabei percebendo que eu passei a consumir financeiramente menos, afinal deixei de comer na rua, ou melhor beliscar, eu sempre fui das que levava marmita e só aproveitei o bandejão poucas vezes, mas ainda assim senti uma grande diferença principalmente porque eu aboli boa parte dos produtos industrializados e até mesmo a carne, minhas roupas começaram a diminuir de tamanho, minhas espinhas diminuíram e meu cabelo misteriosamente ficou mais brilhoso.

                As empresas de alimentos movimentam o mundo, você come quando tá feliz, chateada, quando tá com fome, entediada, quando tá com preguiça e quando tá agitada, nós não paramos de consumir comida e por causa dela gastamos dinheiro com remédio, médicos variados, com cabelereiros (afinal nossa comida influência nosso cabelo), gastamos com academia, com terapeutas, com mais comida, com roupa, por causa da nossa comida cria-se inúmeros gastos variados e por mais que alguns tenham o vale alimentação do trabalho, ele não pagará nem metade dos gastos que se derivaram.

Texto de Juliana Marque publicado em 14/01/2016

Feminismo, Violência

Enem 2015: Redação ou Relatos?

Eu estava no
meu trabalho quando pensei: Sabe, eu vou estudar, meus filhos já estão crescidos. Então saí do trabalho e vim ao colégio. Fiquei tão feliz quando consegui! Cheguei em casa e falei para os meus filhos e para o meu marido. Eles acharam legal e me deram a maior força para eu voltar a estudar. (Sandra Maria, 2009:86).

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      A fala em questão diz respeito a uma das muitas falas presentes na minha monografia, especificamente no terceiro capítulo que trata da questão de Gênero na Educação de Jovens e Adultos, voltar, abandonar, amar, construir versos pulados, estrofes abandonadas, isso tudo faz parte daquelas mulheres que compõe essa modalidade de Ensino, elas abandonaram tudo por outros e não por elas. É com essa fala que dou início ao texto de hoje.

          Em 2014, o Disque 180, Central de Atendimento a Mulher prestou atendimento a 485.105 pessoas, desses 52.957 faziam referência à relatos de violência esses dados são disponibilizados pela SPM-Secretaria de Políticas para as Mulheres. Ainda ontem os jornais noticiavam que 55 redações do ENEM 2015, segundo o MEC, tiveram relatos pessoais de violência sofrida, de acordo o Ministério, essas mulheres relataram serem vítimas ou testemunhas de alguma violência.

             Observar esses dados é perceber que nascer Mulher em um País com uma essência machista é nascer no Desprivilegio, nascer sem ter suas próprias escolhas, é nascer com a certeza de que sua vida sera incerta, que a sociedade colocará sobre si comandos que você não quer realiza, sua única certeza será que ao menos uma vez na vida você será subjugada a alguma violência física ou psicológica apenas por ser mulher.

         Dede muito cedo os filhos desse país são ensinados a serem machistas, nossos pais são machistas, nossos amigos, nós somos machistas, fomos criadas diante a uma ideologia que trata as mulheres como frágeis criaturas que são incapazes de decidir por si mesma suas ações, roupas, costumes e maquiagens, somos veladas e cultuadas para bel prazer, nos dizem o que é certo e o que é errado, e o que para muitos é cuidado na verdade é machismo, violência, controle emocional.

          Vozes gritam a cada dez segundos que elas tem ESCOLHAS, que nós temos Escolhas, mas isso não é verdade, as frases são convincentes, os gritos são muitos, nos calam e calam, as razões são muitas, filhos, pais, dependência, baixa alta estima, opressão seletiva, falta de apoio, é difícil nadar contra maré diante a tantos fatores, afinal meninas brincam com bonecas para desdê pequenas aprenderem que a elas competem os filhos, a casa, o cuidar e o amar, não foi nos dado escolhas. Recorro mais uma vez a minha monografia para falar de tal ato:

Escolha? Ela parecia inexistente em um mundo de certezas, certezas que não eram as suas. Sentiu-se culpada por seus sonhos irem além dos seus casulos, se sentiu culpada pelos olhares famintos, e pelas dores alheias, se sentiu culpada por não saber dizer não e por ser obrigada a dizer sim, se sentiu culpada por sua roupa, por seus medos, por tudo que era relacionado a si, porque simplesmente nesse momento ela era outro. (SILVA. Juliana. UERJ)

           A essas mulheres como Sandra, Tereza, Maria, minhas tias ou avós competia uma única coisa abdicar de seus direitos em prol de outros, estudar, viver, sair, sua vida não a pertencia mais e isso significava que todas as suas escolhas eram em função dos que estavam a sua volta, cuidar dos irmãos enquanto os pais trabalhavam, cuidar dos filhos enquanto o marido trabalhava, cuidar da casa e do marido, abandonar os estudos para trabalhar, abandonar o trabalho para cuidar da casa e dos que nela residem. 

           O machismo tá ali, logo ali, no canto da sala ouvindo os gritos de Não pode da mãe e as ordens do pai, se encontra na desistência em prol de um amor, nos gritos calados, nas manchas roxas inquestionáveis, nos gritos de choro, nos desabafos…

            A redação do ENEM que para muitos foi algo perfeitamente normal para outros se tornou um diário secreto, um diário aberto, um veículo para gritar ao mundo que tudo aquilo que vemos relatado no Facebook, nos jornais não é mera ficção, não é algo difícil de se encontrar, que aquilo que outros tem tanta facilidade de escrever para ela ou para ele é algo extremamente torturante pois aconteceu com a irmã, com a mãe, com a tia, com a avó, com ela.

       Essa infantilidade humana de se dizer perfeita e olhar apenas para as notas 1.000 e não questionar as notas baixas, os zeros, os motivos que foram muitos para tal ato acontecer. Para muitos pode parecer impossível que alguém que fale e lute com tamanha propriedade sobre esse assunto consiga tirar uma nota abaixo de 600, mas essa não é a realidade, não falo apenas de coesão, coerência e toda aquela finalidade da língua portuguesa, se expressar em palavras é algo muito difícil ainda mais para quem viveu algo assim. Quem garante que os mais de 104 alunos que tiveram nota mil ao menos alguns não eram os agressores que praticam tal ato, falar de agressão se torna fácil quando se é o manipulador que convence a todos que é o inocente.

            O tema da redação na verdade expôs um problema grande no Brasil a violência e a banalidade com a qual a tratamos, uma menina não pode ser assediada em um programa de televisão e isso ser tido como normal, uma mulher não pode ser morta e isso virar piada, nascer mulher não é nascer como um pedaço de carne que qualquer um pode avançar e pegar. O tema da redação expôs algo muito pior não estamos preparado para lidar com nossos erros, a sociedade te puni pela saia curta, pelo batom vermelho, pela calça apertada, pela forma como anda, a sociedade não aceita que isso é uma violência, não aceita que oprimir o outro não te faz pior ou melhor do que quem comete violências físicas, te torna igual e igualmente opressor.

         Banalizar, normalizar e romantizar, nós conjugamos esses verbos, disfarçamos a violência e impomos a elas rótulos que não cabem, ter ciúmes não dá o direito de agredir, matar e humilhar o outro. Não sei se alguns de vocês acompanham a nova minissérie da Rede Globo, Ligações Perigosas, baseada em um livro que já teve milhares de adaptações, eu não li e nem vi nenhuma delas, muito menos essa mas a internet ferve e eu vejo, mas isso não vem ao caso, o ponto que quero chegar é no Estupro que tendenciosamente foi romantizado nas telas da dramaturgia, o problema não foi a demonstração do ato, o problema foi a direção da telenovela ter romantizado o ato como se aquilo fosse algo normal, uma virgem tendo sua primeira experiência, aprendendo e deixando de ser menina, a banalidade como a cena foi tratada foi tamanha que até mesmo o site da emissora em questão apenas noticiou que fulanos ”dormiram” juntos, como se ambos quisessem consumar o ato.

         É nesse momento em que a ficção se mistura com a realidade no momento em que deixarmos de pensar que violar um corpo é algo normal, que a culpa pela violação é de quem foi violado, no momento em Pensarmos que as pessoas tem escolhas, tem desejos, elas podem dizer NÃO, elas não são obrigadas, não é por ser mulher que eu tenho que ser assediada pela minha roupa curta ou por descer até o chão. O fato de eu nascer mulher não deve significar que eu tenha que seguir uma linha reta daquilo que a sociedade espera de mim, aliás a sociedade não pode esperar nada de mim, porque nem eu mesma espero algo de mim.

         Nós como sociedade temos que olhar para outro como se outro fossemos nós, afinal nós fazemos parte da sociedade e só quando percebemos o significado da palavra empatia aprenderemos o que é viver em sociedade. 

Texto publicado por Juliana Marques em 12/01/2016

Feminismo

#PrimeiroAssédio – tantos gritos silenciados…

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Eu começo esse texto parabenizando à todas e todos que compartilharam seu #PrimeiroAssédio ou algum outro #Assédio ao longo de suas redes sociais, a algumas horas, uma página da Universidade, UDD (UERJ dá Depressão), cujos moderadores são estudantes da mesma e assumem a função de informar, compartilharam uma das coisas mais intensas que eu já li, Luísa Guimarães, estudante, filha, irmã, amiga que nas suas palavras e nas de tantas outras iguais a ela sofreu assédio ao longo de sua vida, ela não relatou o primeiro, ela não relatou o segundo, ela relatou algo que mudou sua vida e que quase acabou com ela, ela relatou o estupro, cometido pelo taxista que deveria leva-la para casa, ele não só a ameaçou com uma arma, como também chamou um amigo para consumar o ato, ler aquelas linhas e me imaginar no lugar de Luísa era algo tão inevitável, que me pego chorando enquanto escrevo, imaginando o tamanho desespero ao acordar sozinha, ao ser vê daquela forma, me pego imaginando o tamanho de sua dor durante todos esses dias e meses.

A dor da Luísa é a dor de milhões de mulheres, crianças, filhas e filhos, mães… amigas, desconhecidas (e também desconhecidos).

Eu já disse não consigo me lembrar de um assédio quando pequena, ele provavelmente ocorreu, lembro que minha mãe sempre me mandava correr se eu visse um carro suspeito no caminho para o colégio, lembro do pai meu falando para eu não chegar tarde, ele sempre dormiu depois de eu chegar, lembro do meu irmão que nunca foi de demonstrar tanto afeto, coisas de irmão, me abraçando em meio a olhares devoradores. Eu não me lembro do primeiro assédio, mas lembro de ser constantemente lembrada que ele, o assédio, existi, sentar na fileira do corredor, andar armada com um guarda-chuva, usar calça ao invés de saia no Metro.

Me lembro que certa vez, no meu primeiro ano do Ensino Médio, no Colégio (Estadual) Normal Heitor Lira, enquanto pegava o 906 um senhor que deveria ter idade para ser meu avô entrou no ônibus para assediar as moças, para azar dele eram muitas contra um. Também me lembro de levantar do meu lugar e preferir ir em pé porque o rapaz que estava do meu lado se masturbava enquanto me olhava. Me lembro de fingir ter uma arma e encarar meu assediador enquanto mostrava uma faca de cozinha e sorria apertando o cabo do guarda-chuva, ele desceu dois pontos depois, nunca mais sai de casa sem guarda-chuva não por ser uma pessoa prevenida, mas por me sentir segura portando aquele objeto. Eu também me lembro que não andava tarde da noite com meu uniforme de normalista pelo simples fato de não me sentir segura, afinal era uma constante caminhoneiros, motoristas de ônibus e de carros suspeitos já me faziam acelerar o passo o suficiente a luz do dia, a verdade é que assumo eu não me sinto segura e nem nunca me senti segura andando sozinha.

Segurança, medo, revolta… a dor do outro é a minha dor.

Ler sobre o #PrimeiroAssédio, pensar nos assédios que já vivi enquanto trafegava tantas vezes antes das sete pelas desertas ruas que me levam a UERJ me fizeram pensar nas roupas que não vesti, dos caminhos que criei me desviando dos meus algozes, das vezes em que tampei meus ouvidos e apressei meu passo ou ainda das vezes que não curti meu sono porquê quem estava ao meu lado era um homem, lembro também das vezes que gritei, encarei, xinguei, das vezes que fiz tudo isso e ainda assim senti em mim o medo.

Medo…

A campanha, #PrimeiroAssédio, surgiu com o coletivo Feminista Think Olga, alertando para o assédio a crianças, tais quais Valentina e tantas outras, incentivando mulheres (e sim alguns rapazes) a contar sobre a primeira vez em que foram assediadas. Tantas e tantas vezes as cantadas são tidas como elogios, coisas normais, os olhares na bunda, nos seios, as mãos bobas, os fiu-fiu são deverás naturalizados por quem os comete, pela vítima e por quem cerca a vítima.

Não, não é um elogio, quando um carro para na sua frente e grita ‘’Oh lá em casa!’’, ‘’Gostosa’’, ‘’Quero te ter toda molhadinha’’,  seu coração para e você sente vontade de correr e de chorar, quando um homem vem na sua direção te encarando você tenta desviar, você anda atenta, você muda o caminho e você ouve ‘’Gata’’, ‘’Gatinha será que mia’’, ‘’Bom Dia’’, isso não é elogio, isso não é brincadeira, isso não é natural, isso é assustador.

A três semanas o Twitter e o MasterChefe Junior andam em total sincronia negativa, primeira o assédio, depois a homofobia e agora o sumiço da participante, a equipe do programa diz que a edição foi feita de acordo com a evolução dos participantes, fato é que direta ou  indiretamente isso ocasionou em algo muito comum no julgamento humano, culpar a vítima, sumir com ela, esconde-la, a culpa é dela, a culpa é minha, a culpa é nossa, pela roupa, pelo batom, pela saia, pelo vestido, por ser mulher…

Ler o que Luísa escreveu me fez pensar no que meus pais falavam, dizendo o quão inseguro era andar dentro de um transporte sozinha com um homem, não gosto de táxi, também não gosto de Vans vazias e ônibus apenas com motorista e trocador, mas mesmo assim os pego, com medo e o meu medo aumenta cada vez que leio algum relato, algumas vezes desço no meio do caminho, corro, mudo de roupa e deixo de passar batom, outras tantas percebo que não posso viver escondida, que não posso viver no medo, na escuridão, eu não sou culpada eles são os criminosos, eles são os verdadeiros culpados, eu não posso mudar minhas roupas, minha maquiagem, minha forma de ser e os caminhos por onde ando, eu luto, eu grito, eu bato e até empurro, mas mesmo assim para alguns eu faço por nada.

Lembro que enquanto lia, o segundo sexo de Simone de Beauvoir, eu fiquei tão feliz quando ela dizia que os comportamentos sociais são impregnados em nós, existe ainda uma esperança para a humanidade, eis aí o motivo da celebre frase ‘’mulheres não nascem mulheres, tornam-se mulheres’’, todo comportamento relativo ao que sou para a sociedade foi me imposto por ela, assim como o machismo, assim como a culpa da vítima, assim como se mudar para não ser assediada.

Deixo aqui todo o meu amor a Luíza, Valentina, Ana, Sofia, Teresa, Juliana, Maria…. a tantas outras e outros que sofreram, que choraram, que mudaram seus caminhos, suas roupas por medo, deixo a todos o meu abraço de gratidão por não desistirem, por lutarem, por compartilharem tantas palavras para mostrar que outros devem se pronunciar, que isso não é algo comum, para provar o mundo que nascer com o sexo feminino não é sinônimo de nascer como  um pedaço de carne, como uma vaca que a qualquer momento pode ser levada para o abatedouro por olhares raivosos e mãos abomináveis, ser mulher não pode ser uma condição para ser assediada, para ser abusada e ser consumida.

Deixo todo o meu amor à essas pessoas, minha solidariedade, minha sorosidade, meu abraço mais apertado a todos que já fá foram vítimas de alguma forma.

Para ler a postagem da Luísa é só clicar no nome dela.

#PrimeiroAssédio Maioria de participantes de campanha sofreu 1º abuso entre 9 e 10 anos https://t.co/wehmYkLHFl pic.twitter.com/Eu8eRFbBHx

— BBC Brasil (@bbcbrasil) 29 outubro 2015

Tinha uns 8 anos e esperava minha mãe nas compras. Dois rapazes passaram por trás, pegaram na minha bunda e saíram rindo. #PrimeiroAssédio

— Bruxa Onilda (@byankarruda) 21 outubro 2015

Texto Publicado Por Juliana Marques em 30/10/2015

Sem categoria

Nas lentes do Mundo – Crianças são só crianças…

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Agora eu era o rei

Era o bedel e era também juiz

E pela minha lei

A gente era obrigado a ser feliz

(Chico Buarque – João e Maria)

Nas últimas semanas o assunto ‘’Crianças’’ tem se alastrado nas redes sociais, já que essa semana pertence igualmente a toda agitação do Enem, retorno aqui o tema igualmente polêmico do Enem anterior ‘’Publicidade infantil em questão no Brasil”, alguém já parou para pensar em como as crianças se encontram expostas nas redes hoje?

Filósofos e sociólogos diriam que é impossível não se expor a essas redes sociais, fato é que cada vez mais jovens elas se encontram expostas em um mundo tecnológico, o parto é filmado, a ultrassonografia em 3d com som digital, os álbuns de papel foram substituídos pelos tecnológicos, pelos selfies após o nascimento…com o obstetra.

E assim nasce cada vez mais cedo uma geração da Hipertextualidade que faz tudo ao mesmo tempo, ouve música, lê várias páginas em várias abas, curte, compartilha, dança e multiplica conhecimento por aí a fora.

É estranho falar de publicidade infantil quando nós mesmos estivemos tantas vezes expostos a ela, estivemos ali na plateia da Xuxa, Eliana ou da Angélica as vendo beber refrigerante, comer pipoca, devorar chocolates e chocolates e nos dizendo para igualmente os consumir junto com todos os seus produtos, quem não lembra da pipoqueira e da sorveteira da Eliana, os cds da Xuxa as bonecas da Angélica.

A publicidade infantil existiu no momento em que se foi concebido a criança como um público que compra e vende.

Brinquedos, roupas, desenhos, revistas, chicletes, doces, programas infantis, hoje eu tenho vinte e três anos e revejo todos aqueles programas, alguns brinquedos e me pergunto, isso não era para minha faixa-etária né? Não, não era.

Da mesma forma que existe no imaginário social o ideal de homem e de mulher existe nesse imaginário a ideia do que é criança, e para muitos ser criança é ser um mini adulto que gosta de doces e coisas coloridas, ser criança é bem mais do que isso, e é isso que a publicidade infantil tenta esconder atrás dos famosos jogos de vídeo game ou das roupas estilizadas da Barbie.

Da mesma forma que nós adultos tentamos nos moldar, crianças igualmente o fazem, roupas, penteados, meias, quem não usou aquelas meias coloridas, aquele tênis estranho, aquele vestidinho fofo, isso tudo porque queríamos ser como as princesas, apresentadoras, os heróis, ou as personagens da novela, não importa, isso gerou lucros milionários, assim como ainda gera, vide os famosos programas infantis baseados nas versões adultas diferenciados apenas com uma palavra (Kids, Juniors, infantil, crianças)

Falar desses programas é algo particularmente interessante, quando eu falei que essa semana o tema Crianças anda circulando nas redes sociais me referi a isso também, relutei um pouco em saber quem era Valentina, a tal menina de doze anos que remexeu as redes sociais, enfim descobri quem era Valentina a menina de somente doze anos que foi assediada por homens que deveriam ter a idade de seu pai ou até mesmo de seu avô, também conheci o pequeno Hytalo, de apenas onze anos que teve contra si os gritos de uma sociedade homofóbica, instantaneamente lembrei-me da pequena Maísa e de seus colegas apresentadores, das crianças que compuseram os grupos infantis da décadas de 90, dos pequenos  atores e cantores que crescem sobre o olhar dessas câmeras que na mais criteriosa leitura de Focault te puni na mesma medita que observa.

São só crianças, de doze, onze, dez, cinco….

Valentina é uma criança que assim como milhares foram assediadas, tiveram seus corpos violados e seus olhos violentados pela crueldade humana, assim como as meninas traficadas e vendidas, ou as pequenas que tem seus corpos expostos nas rodovias, ou as vizinhas, primas, sobrinhas, conhecidas que tem seus corpos vistoriados como um pedaço de carne. Crianças que não devem saber o significado da palavra machismo, mas mesmo assim a vive. Vivemos em uma sociedade tão hipócrita que os assédios se tornaram tão frequentes quanto um ‘’Bom Dia’’.

Eu não lembro do meu primeiro assédio na infância, provavelmente deve ter tido, mas não o lembro, em comparação lembro bem de como fui assediada por conta do uniforme de normalista, eu sei como é você andar a passos apresados para chegar no colégio e olhar para vê se não tem um carro te observando como se você fosse um pedaço de comida, ou ainda lembro da palpitação em segurar um guarda-chuva como se fosse a arma mais mortal do mundo, lembro, eu lembro assim como sei que Valentina, Hytalo e tantos outros vão lembrar de todas essas palavras.

Enquanto escrevo esse texto estou pensando na política de filho único, hoje extinta. É nesse momento em que percebo que independente do lugar quando algum mecanismo de controle percebe seus filhos, ele quer lucros, o governo autoriza mais um filho para impulsionar a economia, não para corrigir um erro social que possivelmente levou a morte milhões de meninas já que os pais preferiam os filhos homens, já que no fim eles proveriam a família. Coincidência ou não, aqui no Brasil um país em que não se tem controle de natalidade, o machismo concebe essas mesmas ideias, mulheres não servem para determinadas tarefas, não podem dirigir, são emocionais demais, são santas, professoras, mães…, mulheres são só mulheres e só elas têm o direito de expressar sentimentos, afinal pais ensinam seus filhos que “homem não chora’’.

Homens choram, psicologicamente e biologicamente, eles choram, eles sentem, eles se prendem tanto quanto nós aos padrões sociais, o machismo só existe porque ele foi ensinado na escola, na partida de futebol, com os carrinhos, em casa. Hytalo sofreu com esse machismo, ele era só uma criança que ouviu e ouve todos os dias comentários que reproduzem uma lógica de ódio quanto aos que não se enquadram nessa sociedade quadrada.

Recordem na mente de vocês quantas vezes foram Hytalo e Valentina, quantas vezes seus corpos e comportamentos foram motivos de constrangimento e lágrimas isso antes dos quinze, crianças deveriam ser só crianças, deveriam ter sonhos, deveriam sonhar poder fazer qualquer coisa e serem da forma e do jeito que quiserem, crianças não deveriam e não poderiam estar expostas a isso.

Teoricamente você nem foi exposto às câmeras, mas quem disse que o ideal social, os olhos milimétricamente programados, não falaram sobre seu cabelo e o motivo dele não ser liso, não falaram sobre seu manequim ou o tamanho da sua saia, ou ainda discursaram sobre o seu comportamento, quem disse que você também não foi violentado por essa sociedade que te consome como um produto qualquer em uma prateleira.

Penso nas crianças expostas ao frio, vítimas de uma sociedade que as vê como mero produto, um pedaço de qualquer coisa, um número, um futuro inexistente, eu nunca me vi grávida mas quero ser mãe, talvez por esse fato eu seja tão sensível a essas crianças que tem tão pouco, por vezes quase nada e que se expõe a tudo. Crianças aprendem fazendo, brigando, correndo, brincando, derrubando, crianças não deixam de ser crianças quando nascem mais pobres ou menos ricas, elas mudam de endereço, de rua, de viaduto.

E é nesse contexto que fui apresentada a outra criança, a de uma escola de um município pequeno aqui do Rio de Janeiro, ela estava agitada, quebrando, reproduzindo, gritando, estava assustada, chorando e os adultos a sua volta filmando, o vídeo que viralizou em poucas horas, me pergunto onde se encontra a sanidade humana quando uma criança que não chegou nos dez anos se descontrola nesse ponto e nem um adulto se preocupa em saber o que de fato acontece, só se preocupam em filmar, compartilhar, curtir…

Observo um pouco desse caso e me recordo dos ex atores mirins, que tiveram suas vidas expostas durantes tantos anos, que acabaram entrando em depressão, fazendo coisas normais e absurdas a olhares de determinadas lentes, ninguém nunca se perguntou o que sentiam, o que queriam, o que verdadeiramente eles eram? Eles só queriam saber de viralizar as notícias sobre os ex queridinhos e atuais problemáticos.

Vendemos nossa alma a uma câmera, em busca de curtidas e comentários elogiando nossa beleza. Certas vezes pergunto-me quem somos nós? Somos o que está dentro ou está fora das redes sócias? Quem nos conhece? Quem nos curti na vida real e compartilha de nossas ideias?

Enfim por hoje é só, boa noite.

Agora eu era o herói

E o meu cavalo só falava inglês

A noiva do cowboy

Era você além das outras três

Eu enfrentava os batalhões

Os alemães e seus canhões

Guardava o meu bodoque

E ensaiava o rock para as matinês

(Chico Buarque – João e Maria)

Texto de Juliana Marques publicado Originalmente em 29/10/2015)

Crianças, Feminismo

Keep Calm é só o ENEM! (Ou será que é a vida?)

KEEP

Sobre o ENEM: Sim, estou muito feliz com o fato do ENEM fazer jus ao rótulo de Exame Nacional de Ensino Médio, e de fato ir além das questões programadas que os cursinhos e algumas escolas se propõem a ‘’ensinar’’, mas eu continuo achando esse sistema de avaliação deverás arcaico, não por privilegiar uns e outros, até porque o ENEM é baseado em currículo Nacional, mas eu não acredito em um sistema de avaliação que te ponha a prova durante dois dias, em meio ao seu nervosismo e as insistentes crises de TDAH, preferia em uma ideia utópica ser avaliada por minhas competências, assim seria mais fácil e justo.

Mas falemos das questões do ENEM, teóricos conceituados, FREIRE, MARX, Beauvoir, e um monte de outras pessoas que tentaram mudar o mundo, história e geografia aplicada de maneira social e cultural, segundo relatos as questões de português também estavam trabalhadas na amorosidade, nas variações linguísticas e bem a provas de ciências exatas era a prova de ciências exatas.

O que eu quero dizer é o seguinte tanto se foi comemorado durante o dia sobre tudo isso, sobre esses pensamentos, sobre esses autores, sobre tudo, que uma questão pairou em minha cabeça o dia inteiro, esses autores são trabalhados da forma que se devem ser trabalhados com os alunos em sala? Eles são ensinados a refletir sobre esses assuntos? E se eles que tanto quiseram quebrar o sistema estavam sendo usados a favor do sistema eles estavam agora excluindo?

Eu realmente fiquei feliz pelo ENEM fazer jus a uma formação Humana, que aliás se faz presente com a obrigatoriedade do ensino de sociologia e filosofia, mas a questão é: Mesmo que as ideias mais contemporâneas sobre igualdade de direitos tenham sido expostas nessa prova, na prova anterior (2014) e nas demais (que vão vir e já vieram), isso não vai significar nada se a formação de alunos e professores continuar a ser uma formação que valorize a reprodução, a programação e a desigualdade, onde a lógica da exclusão se faz presente em um exame que deveria incluir, afinal quantas escolas entre públicas e particulares se preocupam realmente com isso??? Quantas escolas ouvem seus alunos??? Quantas escolas de fato fazem o que é proposto pelas Diretrizes???

Entre os milhares de comentários de comemoração pelos temas propostos ouso a falar que o barulho foi feito sem reflexão alguma, é fácil falar do que é machismo, violência, exclusão do lugar onde estou, acabei a faculdade de pedagogia, minha formação é em humanas e digo com clareza que as crianças que prestaram esse vestibular em sua maioria não tomaram ciência política da metade das questões naquela prova. Sim, eu os chamei de crianças, cada dia mais cedo eles prestam vestibular, se preparam para um mercado de trabalho no jardim de infância enquanto aprendem o terceiro idioma, mas isso é um outro texto.

Chega a ser engraçado em meio a um dia em que uma prova e sua redação pro vestibular causou tanto rebuliço uma pequena reportagem do Fantástico chamar atenção justamente pela controvérsia, um dos quadros, intitulado ‘’o grande plano’’ com a presença de três artistas acima de sessenta ( Berta, Vilma e Elke), a participante a pedido do marido teria que mudar seu estilo de se vestir por causa do marido, ele achava suas roupas apertadas, curtas e transparentes, e as três senhoras concordaram, em meio a uma grande discussão sobre direitos das mulheres ideias tão ultrapassadas se fazem presente, ‘’o que as pessoas vão pensar’’, as pessoas não deveriam pensar nada, o corpo é dela, a vida é dela, ela se veste como ela quiser e ninguém tem o direito de falar algo sobre isso.

Vivemos em um mundo onde o machismo se encontra tão impregnado que não conseguimos nunca achar a raiz do problema, o tamanho da roupa, a cor do batom, o solto, a falta de pintura, pequenas ações, detalhes que são nos impostos todos os dias como forma de controlar nosso corpo, não somos objetos, somos mulheres.

Deixo aqui a minha reflexão sobre esse ENEM, talvez essa seja a pequena revolução que começou no lugar mais improvável para que futuramente os vestibulandos não precisem decorar formulas e formulas em meio a um desespero para passar no vestibular. Quem sabe seja essa a hora de refletir sobre o que é ensinado nas escolas desse país?

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas

As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas

Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
As suas novenas
Serenas

(Chico Buarque)

Texto de Juliana Marques (publicado no dia 26/10/2015)

Opinião

Aos vinte….

aos vinte e poucos

Ando meio desligado

Eu nem sinto meus pés no chão

Olho e não vejo nada

Eu só penso se você me quer

( Rita Lee / Arnaldo Baptista / Sérgio Baptista)

 

 

 

 

O tempo realmente é algo muito relativo, o ciclo de vinte quatro horas passa tão rápido que se quer tenho coragem de continuar a olhar o relógio em meu pulso, nunca compreendi essa medida tão irracional de se contar a vida, tenho medo de que no próximo ciclo eu permaneça aqui parada, sem entender, sem me descobrir, sem terminar tantas das muitas coisas que eu prometi a mim mesma…

O eco do relógio, tic tac, parece me dizer o quão tarde está para novas escolhas, tenho medo que tudo tenha sido errado, abandono pela metade tudo que já comecei simplesmente para o desafiar, a impressão de que o tempo não significa nada se enraíza em nossos corações ao mesmo tempo em que o medo que tudo que fizemos não signifique nada.

Aos vinte nos escondemos, corremos, desafiamos o mundo sem nem sair do lugar, o mais importante se torna fincar raízes mesmo sabendo que você não permanecerá ali para sempre, você tem objetivos, quer ser lembrada pelo que você se tornou, o medo do esquecimento nunca pairou em sua mente quanto nessa época, você tem vinte só vinte, mas já depositaram sobre si tantas metas que tudo que deseja é que não caia pelo meio do caminho, mas se cair espera que tenha ao menos um alguém ali do seu lado.

Quando se chega aos vinte, você não compreende metade do mundo, nada é tão simples do que um dia foi aos dez, sua ansiedade dobrou, sua impaciência perante ao mundo se tatuou nos seus pés inquietos, sua mochila de viajem está sempre pronta para novas aventuras, mas você não tem mais tempo, você corre sem nem ao menos sair do lugar, aos vinte você já cansou de tentar ser aquilo que não era, aos vinte metade de você já foi inventada, a outra metade continua te dizendo que falta muito, que tá tudo errado, que é necessário construir algo novo.

Os gritos que ecoavam em sua mente desde que se era criança, não se encontram mais ali, você não os deixa se fazer presente, você encara o mundo por si mesmo pois já cresceu e por isso não os ouve, quando se chega aos vinte você percebe que a pior burrada que se fez, foi se tornar surdo…

Aos vinte você percebe o verdadeiro significado da palavra década, você passa a odiá-la, você diz constantemente que as pressões do mundo caíram sobre você, que sua perfeição na verdade é imperfeição, você se olha mil vezes no espelho antes de sair de casa.

Aos vinte percebemos o quão crianças ainda somos e o peso de nossas responsabilidades, e pela primeira vez em duas décadas você não quis ser adulto. Seu único sonho nesse momento era se deparar com a máquina do tempo, voltar aos anos 2000 e se esconder embaixo da cama dos seus pais…

Aos vinte eu comecei a olhar o relógio não como um inimigo, mas como um aliado, minha rotina atarefada contava os minutos para o fim daquele turno, não conseguia contar as constantes vezes em que rasguei os rótulos de menina boazinha e mesmo assim ainda precisava correr para o colo dos meus pais, como se o tempo nunca tivesse passado.

Quanto se chega as duas décadas você acha que já viveu de tudo e ao mesmo tempo acha que não viveu nada, você percebe suas imperfeições e suas qualidades, você quer jogar tudo para o alto mas tem medo de o fazer, quando se tem vinte anos você percebe que nada é para sempre, você se olha no espelho e percebe o quanto cresceu e que nada disso foi suficiente para se sentir inteiro.

Aos vinte o mundo é pequeno demais para você, existem muitas pessoas, mas nenhuma delas parece te compreender, aos vinte você grita sem soltar um ruído, tudo que você precisa é que alguém te ouça no seu silêncio que diga para não desistir, que se cair vão te apoiar, tudo que você precisa é não estar sozinho no meio da multidão…

Texto de Juliana Marques (publicado no dia 05 de agosto de 2015)

Feminismo, Sexo

Sexo, sexo, sexo e Mulheres

silhueta-adesivoE eu te farei as vontades

Direi meias verdades

Sempre à meia luz

E te farei, vaidoso, supor

Que és o maior e que me possuis

(Chico Buarque, Folhetim)

Atire o primeiro verso quem já não ouviu uma cantada na rua por causa da roupa que vestia, ou só por se mulher? Quem não se sentiu constrangida e até mesmo com medo por conta disso? A grande realidade é que nós, mulheres, apesar do século, ainda somos vistas como um pedaço de carne, uma prenda, uma caçada, algo que tem que ser alcançado. ‘‘Prendam suas cabras que meu bode está solto’’.

Não, eu não gosto de me ver comparada a um objeto sexual, e pior ser ligada a bebidas alcoólicas, ter meu corpo rotulado e comercias me dizendo que tenho que ser sexy e provocante. Posso até ser sexy e provocante, mas eu tenho o direito de não ser só isso, de ser mais do que simplesmente o meu corpo, de ser um pouco mais do que as curvas das modelos, das famosas grifes europeias, desculpe-me não sou Europeia e meu biótipo não me fez assim, não me prenderei a isso, julguem-me…

Atire o primeiro copo quem nunca se olhou no espelho e não se sentiu perfeita da forma que era, quis quebra-lo, taca-lo longe, esconde-lo com um pano preto, afinal a culpa era dele de não sermos como as moças dos comercias e as modelos, a imagem do feminino é inventada pela mídia que nos faz pensar que somos imperfeitas e comprar mais e mais a imagem da perfeição nas prateleiras de cosméticos. Tudo bem, gostamos de nos sentir bonitas, e por isso compramos, opa houve um erro nessa frase! Compramos para nos sentir bonitas, mas quem definiu esse padrão de beleza? Para quem queremos ser bonitas, para outros ou para nós?

E é nesse ponto que finalmente chegamos, o consumismo, o mercado, as prateleiras, as revistas, as academias, os produtos Detox, não vejo nenhum problema em nenhum desses itens. Mentira, eu vejo todos os problemas, incluindo no meu pote de sorvete e no chocolate que como para compensar minhas frustrações, eu sei que cada um deles vende uma imagem de mulher perfeita, que a sociedade espera que eu siga. Eu não sou perfeita, e pior não tenho a menor ideia, se a ideia de beleza que eu tenho foi algo que eu criei ou se me foi completamente induzida.

Simone de Beauvoir um dia falou que “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Atire o primeiro vestido, de preferência o rasgue quem nunca se teve estigmatizada só por que preferiu os livros a balada, as lutas ao balé? A sensibilidade feminina é algo inventado, já houve um tempo em que as mulheres sequer criavam seus filhos, até mesmo o amor materno é uma invenção moderna para segurar as mulheres. O que são as bonecas, as casinhas, a divisão de brinquedos em azul e rosa, em brinquedos de menina e menino se não a rotulação do que as meninas podem e não podem ser…

Pensem amados leitores, mulheres foram presas apenas por dizer que amavam e que esse amor não eram por seus maridos aos quais foram obrigadas a se casar, ao longo dos séculos nossa liberdade foi fielmente castrada, nossos desejos extintos, nossas roupas redesenhadas não para nos agradar mas agradar aos olhares, calça não era coisa de mulher descente, nossos cabelos foram quimicamente tratados para ceder a um padrão de beleza que não era o nosso, nos foi ensinado a obedecer sem questionar, a não falar sobre determinados assuntos, a torna-los tabus e só serem tratados nas rodas de amigas.

O que somos, sobre o que falamos, o que vestimos, o tamanho da minha saia, meu jeans apertado, nossos gostos, curvas e desejos, não deveriam ser tabus. Somos seres humanos antes de tudo, não derretemos como açúcar na chuva, não necessitamos que alguém nos proteja, nossa roupa não deveria ser controlada, quem vai vesti-la somos nós e não eles, temos desejos e sentimos vontades, isso não é privilégio do sexo masculino. Atire o primeiro batom quem nunca deu aquela olhada na bunda do rapaz, sentiu um enorme desejo de gritar ‘’gostoso’’, ‘’ah lá em casa!’’, ou quem sabe ainda em um pensamento mais ousado sentiu vontade de passar aquela mão boba, “ops, escorregou! ’’. A verdade caros leitores é que nós mulheres não fazemos isso, não com frequência, se fazemos somos rotuladas de inúmeros adjetivos que não vale aqui mencionar, enquanto os rapazes são rotulados com adjetivos que exalam sua masculinidade. E só como ressalva a esta frase mal formulada os corpos sejam do sexo que for, devem ser respeitados e tocados apenas quando for do desejo e do consentimento de ambos, não somos objetos que são simplesmente manuseados a vontade alheia.

Meus caros leitores, porque essa introdução para falar de sexo? Simples, sexo não é algo simples, é algo que vai além dos desejos e das mãos nas inúmeras partes de dois corpos, ou dos inúmeros orgasmos em uma única noite, ou ainda dos gemidos naquele pequeno cômodo, sexo é isso, mas também é aquilo. E quando eu falo “aquilo”, refiro-me à liberdade de se fazer quando e a onde quiser, da forma que quiser, e principalmente com quem quiser, sexo é um tabu comercializável e rentável. E todas aquelas ideias da mulher perfeita se empregam finalmente a esse ponto, no sexo, nos orgasmos fingidos, em toda a ideia do corpo perfeito por baixo dos pedaços de pano que componha a fantasia, para quem nos vestimos nessa hora? Queremos muito mais do que apenas nos sentir desejada, queremos que seja bom, queremos o desejo e o prazer e não só simplesmente dar…, só uma ressalva nós olhamos e também comparamos, afinal é para isso que servem as famosas rodas femininas forjadas nos banheiros, mesas de bar, shopping, praia e salas de aula.

Me perguntei durante um bom tempo o motivo de cinquenta tons de cinza fazer tanto sucesso entre as mulheres, eu sinceramente não sei, já li livros mais interessantes, e que fique claro eu não li cinquenta tons, eu não consegui passar da página 15, gosto realmente é algo indiscutível.

A liberdade sexual feminina, a liberdade feminina no geral, foi algo que ocorreu muito recentemente, quem éramos nós para falar de sexo? Meros objetos que apenas davam prazer, que não recebiam e nem sentiam…, para mim esse é o X do sucesso de vendas, não que o livro seja bom, mas sim o fato dele ser escrito por uma mulher para mulheres, uma escrita que fez milhares de mulheres falarem indiretamente ou diretamente aos seus parceiros que não estavam satisfeitas na cama, que os gritos na hora H na verdade não existiam, que elas queriam inovar outras posições, que existiam outras formas de se fazer sexo oral que não fosse ela nele e sim ele nela. Eu particularmente faria o querido e problemático Gray, sentar no meu divã para curar o seu egocentrismo, obsessão e o machismo, mas não estamos falando dele no momento e sim no fato dele proporcionar prazer, a problemática, submissa e dependente Anastácia.

Como puderam perceber não sou muito fã do livro, na verdade a literatura erótica, e até mesmo na não erótica, no geral faz de nós mulheres objetos de prazer, algo a ser consumido e domesticado, algo frágil e que merece ser protegida a personagem principal que na verdade é mera figurante faz suas ações girarem entorno do galã másculo e viril, olhando por uma ótica generalizadora acaba por fazer o mesmo que o mercado de consumo nos vende a ideia de mulheres sem alma, prontas para o abate, mulheres perfeitas e quebráveis, mulheres de plástico sem desejo ou vontades, mulheres de papel completamente moldáveis.

Acho que vocês vão gostar de saber que estou sentada escrevendo esse texto completamente despenteada, pensando na garrafa de coca cola e na rabanada absolutamente gordurosa na geladeira, Minhas unhas pela metade do esmalte, e o lápis de olho borrado. Quem liga para isso afinal? E daí se estou assim? Meus pais sempre me dizem que se é para me arrumar que seja por mim e não por outros, acho que estou seguindo esse conselho…

Texto de Juliana Marques (publicado Originalmente no dia 31/08/2015)

 

Opinião, Sem categoria

Aos 18 anos

 

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Quando se tem dezoito anos, você pensa que tudo que quer é ganhar o mundo, viajar com uma mochila nas costas, desbravar rotas até então desconhecidas além da casa da sua avó em outro estado, mas ai…, bem ai você descobre que você tem que fazer o vestibular…, fazer uma opção sobre o que você quer ser quando crescer…, alguém sabe o que essa escolha significa?

Quando se tem dezoito anos tudo que você menos quer é se vê preso a uma rotina, você quer sair, namorar, beijar na boca, ir pra festas, ou só sentar no sofá e assistir aos clássicos no telecine, mas as coisas não eram bem assim, tinha que existir esse tal vestibular, que segundo o MUNDO, decidiria o que eu tinha que ser quando crescesse, eu já me sentia crescida, eu já tinha escolhas, eu tinha dezoito anos.

Fala sério, eu queria ser tanta coisa ao mesmo tempo:

Ser modista, mesmo detestando moda.

Ser Gastrônoma, mesmo minha mãe não deixando eu chegar perto das panelas.

Ser matemática, mesmo não lidando muito bem com os números.

Ser engenheira, como eu amo embrenhar entre os fios e peças, mesmo que as vezes, só as vezes eu me perca no meio deles e perca eles no meio da bagunça.

Ser mochileira e me perder no mundo, conhecer mil lugares, dormir olhando pro céu, mesmo sabendo que terei que voltar no dia seguinte…

Queria ser tanta coisa, e mesmo assim aos dezoito anos escolhi ser pedagoga, não me arrependo da escolha, mas não foi uma escolha única, acabei percebendo que queria ser mais coisas do que eu realmente poderia ser, queria ser escritora, psicóloga, roteirista, cronista. Queria fazer minhas escolhas e não deixar ninguém fazer por mim…

Quando se tem dezoito anos você acha que todas as escolhas têm que ser a certa, acabando por não perceber que errar é a coisa mais formidável de nossa existência, quando erramos conhecemos caminhos, conhecemos pessoas, conhecemos o que não queremos!

Quando se erra, estamos derrubando todos os pinos do boliche, estamos vivendo, estamos caindo e correndo ao mesmo tempo, o erro vem junto com todas aquelas emoções contraditórias que não devemos sentir, mas acabamos sentindo:

O medo de não agradar alguém,

A vontade de fugir de uma realidade,

A pressa em ser alguma coisa,

A curiosidade de se alcançar um caminho,

A insistência em apenas querer vencer uma corrida interminável contra a vida.

Não importa o motivo, o erro vai sempre existir, principalmente quando se tem dezoito anos, a vida é tão ambígua que o maior erro dela se torna não errar.

Mas o quê isso tudo tem a ver com o fim da minha graduação? É simples as inúmeras perguntas que fiz entre o primeiro e o oitavo período, me fizeram ter a consciência que eu era completamente inacabada, coisa de Pedagoga…

Quando estava na metade do curso, estava louca para me livrar daquilo tudo, esquecer as paredes cinzas da minha floresta de pedra, mas me lembro que alguém me falou que aquela de longe era a pior sensação, a pior de todas é quando você termina, você termina e aí? O que acontece? O que você vai fazer?

Você se sente perdido, bate um medo inexplicável, um medo de errar e não conseguir fazer metade das coisas que você pensou em fazer ao longo da graduação, você tem medo de se prender, de crescer, de virar adulta finalmente, tem medo da liberdade, tem medo de cair e não ter quem te levante…

E o medo, o mesmo medo de antes da faculdade, o medo que me levou a cursa-la é o mesmo medo que eu sinto quando tudo terminou…

Texto de Juliana Marques (originalmente postado no Meu Inexplicável Mundo em 31/07/2015)

 

Homofobia, Sem categoria

Opção

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Já viram a lua hoje? Não, eu não quero falar da lua cheia, apesar de ter sido uma notícia TOP, eu realmente não quero falar nela, isso não é uma opção caros leitores, isso é uma realidade, não me renderei a essa lua duplamente cheia, onde os cientistas discutem sobre o motivo da nomeação de lua azul, se eles não se acertaram muito bem, quem sou eu para dissertar sobre isso…

Mas já que eu falei sobre opção, você realmente sabe o significado dela? Pois bem, opção é o ato, faculdade ou efeito de optar; escolha, preferência… Eu nunca entendi porque algumas pessoas utilizam opção para tantas coisas onde não há opção:

Você não tem a opção de escolher outra família mesmo quando sente vontade de mandar a casa com todos dentro para o espaço…

Assim como, você não escolhe de quem gosta, classe social, cor, aparência estética.

Bem você não escolhe, mas as vezes parece que escolhem por nós:

Ouvia-se os gritos,

Ninguém respondeu,

Silêncio,

Era um menino conhecido,

Meu amigo,

Seu filho, irmão, vizinho…

Suas roupas foram rasgadas,

Havia sangue,

Ele não queria, claro que não queria…

Ele não teve escolha…, mesmo as pessoas falando que havia,

Mesmo que ele pedisse, ajoelhasse, clamasse, as coisas nunca mudaram.

Ele não compreendia, ele gritava, se desculpava, mesmo não fazendo nada de errado.

Fazendo tudo da forma como todos queriam, que diziam ser o certo.

Mas o que era certo?

As roupas, as falas, os gostos, tudo era controlado, ele nem sabia quem era.

Ele tentava, mas não dava certo.

Ele não sentia, não conseguia gostar.

Sentiu angustia, medo, dor…

Sentiu tudo…, menos o que deveria sentir de verdade amor.

Ele odiou até mesmo quem deveria amar,

Odiou a si mesmo por não conseguir sentir algo diferente.

Odiou as palavras de Fé direcionadas a ele,

Todos o recriminavam, tentavam o curar,

Ele não era doente,

Não veio com erro, ou rótulo de validade vencido,

Mas mesmo assim, ele pedia, da forma sempre foi ensinado: Perdão,

Ele nem sabia o porquê mas pedia, pedia para mudar, mas nunca mudava,

Ele nem ao menos pensou que talvez o errado fosse certo, e por isso nunca foi atendido.

Talvez tenha pensado…,

Talvez não tenha pensado,

Ele não aguentava, por mais que pensasse que podia ser certo, todos pensavam que era errado.

Ele se jogou, se machucou, se feriu…

E finalmente pensou que poderia viver o seu errado sem ninguém lhe dizer o que era certo.

Texto de Juliana Marques (publicado no Meu Inexplicável Mundo em 30/07/2015)

Homofobia, Opinião

Suicídio do Nós.

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De tudo restou-lhe o nada,

Restou o silencio em meio as gotas de chuva em seu telhado,

Restou-lhe conforma-se com o silêncio já quem nem suas próprias palavras ele conseguia escutar.

Mas mesmo assim gritou, não deu muito certo, estava tão deserto que o eco de sua voz o assustou…

Restou-lhe o desespero em se ver sozinho, desesperado, imerso na solidão, depois de tanto tempo não bastava apenas enxergar-se…

Ligou a televisão e viu a reprise dos dias em que as ruas estavam lotadas,

Correu na janela, mas as ruas ainda estavam vazias,

Negou-se a acreditar que nunca se importou com os que estavam ali,

as vezes nos abrigos outras no relento.

Pegou seu pequeno aparelho telefônico, seu único contato com o mundo…

Mas do outro lado da linha ninguém estava para escuta-lo.

Ligou o computador estavam todos conectados e ao mesmo tempo tão desligados,

Será que não sentiriam saudade?

Restou-lhe apenas a si e isso não bastou.

Deitou-se no chão e fechou os olhos.

Restou-lhe apenas as lembranças de um tempo de perfumes e abraços,

Um tempo sem tempo para acabar, mas que mesmo assim acabou.

Um tempo que durou mais do que uma ligação telefônica,

Ou uma conversa nas redes sociais,

Sentiu saudade do aperto, das risadas, de sentir-se quente e vivo em meio ao toque humano,

Não queria ser separado pela fria tela de um computador,

Ou pelas mensagens curtas e automáticas de um sms,

Ele queria ouvir um bom dia de novo,

E esbarrar em estranhos,

Queria paixões vivas além das manipulações de imagens,

Queria ver os rostos e toca-los,

Queria escorregar e errar sem consultar um corretor ortográfico,

Queria sentar no chão e conversar com os que ali estavam,

Queria ouvi-los e ser ouvido,

Queria a imperfeição e os desejos de uma tarde de verão,

Queria que os outros sentissem falta também…..

Texto de: Juliana Marques