-vamos descomplicar esse mundo careta e tão cheio de regras
Autor: Juuuh
Pedagoga, Técnica de Informática, Professora do Fundamental I, Analista de Sistemas, Escritora, Pesquisadora e Excêntrica. Não reviso meus textos, tenho preguiça do que escrevo.
Cora Coralina (1889-1985), morreu quando eu ainda nem era nascida, em 1985 meus pais nem sonhavam em se conhecer. Quando conheci seus versos, eu já havia me tornado adulta, quase tão adulta quanto Aninha em algumas daquelas linhas.
Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha um poema
(Aninha e suas Pedras)
Me encantei por Cora entre os corredores frios e cinzas da UERJ, os versos pareciam ecoar por cada canto daquele lugar. Suas confissões de menina, faziam eco ao meu coração, suas linhas não eram nem versos e nem poesia, “era um jeito diferente de contar história”. Por mais que ela falasse dela, e eu soubesse disso, parecia que falava de mim, ao mesmo tempo que parecia falar de outras, sua voz não era singular, era plural. Era a voz de quem havia se deparado com muitas pedras e as transformado em poesia.
“Entre pedras
cresceu a minha poesia
Minha vida…
Quebrando pedras
e plantando flores”
(Das Pedras)
Ana Lins dos Guimarães Peixoto, era Cora e Cora era Ana, Aninha, a terceira das quatro filhas, orfã de pai praticamente ao nascer, estudou até a terceira série, teceu ainda na infância seus primeiros versos sem vírgulas, palavras ou linhas, mas que tinham cheiro de mato, de terra molhada, de bolo recém assado pelo vó.
“Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro”
(Antiguidades)
Escreveu suas linhas para fugir de tudo que a machucava, eram sobre o que sentia, sobre o que viveu, e sobre o que ainda queria viver, eram lembranças de uma menina, contadas por uma senhora que continuava a devorar o mundo e a mostrar a ele todas as suas pedras, todas as suas lutas.
Aos 70 anos aprendeu datilografia para que suas poesias pudessem ser enviadas aos editores, aos 75 anos publicou seu primeiro livro, morreu aos 95 anos… Drummond dizia que ela era: “uma velhinha sem posses, rica apenas de sua poesia, de sua invenção, e identificada com a vida como é”.
“Sendo eu mais doméstica do Que intelectual, não escrevo jamais de forma consciente e racionalizada, e sim impelida por um impulso incontrolável. Sendo assim, tenho a consciência de ser autêntica. Nasci para escrever, mas o meio, o tempo,as criaturas e fatores outros contramarcaram minha vida. Sou mais doceira e cozinheira do que escritora, sendo a culinária a mais nobre de todas as Artes……… Nunca recebi estímulos familiares para ser literata Sempre houve na família, senão uma hostilidade, pelo menos uma reserva determinada a essa minha tendência inata.”
(Cora Coralina, quem é Você?)
Cora assinava aquilo que Aninha vivia, se tornou poesia em meio a resistência, era tão única quanto o nome inventado, fugiu, amou, vendeu livros, lavou roupa, sofreu a dor da perda, mais de uma vez, se fez doceira que conservava histórias, foi mulher rendeira que teceu seu próprio destino. Dentro de si, existiam tantas e tantas vozes, que ler suas linhas é como caminhar na corda que tece a vida, não só a de Aninha, mas a de Cora e também a minha.
Todas as Vidas
Vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado, acocorada ao pé do borralho, olhando para o fogo. Benze quebranto. Bota feitiço… Ogum. Orixá. Macumba, terreiro. Ogã, pai-de-santo… Vive dentro de mim a lavadeira do Rio Vermelho. Seu cheiro gostoso d’água e sabão. Rodilha de pano. Trouxa de roupa, pedra de anil. Sua coroa verde de São-caetano. Vive dentro de mim a mulher cozinheira. Pimenta e cebola. Quitute bem feito. Panela de barro. Taipa de lenha. Cozinha antiga toda pretinha. Bem cacheada de picumã. Pedra pontuda. Cumbuco de coco. Pisando alho-sal. Vive dentro de mim a mulher do povo. Bem proletária. Bem linguaruda, desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa, de chinelinha, e filharada. Vive dentro de mim a mulher roceira. -Enxerto de terra, Trabalhadeira. Madrugadeira. Analfabeta. De pé no chão. Bem parideira. Bem criadeira. Seus doze filhos, Seus vinte netos. Vive dentro de mim a mulher da vida. Minha irmãzinha… tão desprezada, tão murmurada… Fingindo ser alegre seu triste fado. Todas as vidas dentro de mim: Na minha vida – a vida mera das obscuras!
Gilberto Gil estava triste com o iminente divórcio de Sandra Gadelha, apelidada por Maria Bethânia de Drão, mãe de três de seus filhos (Pedro, Maria e Preta). Era começo dos anos 1980. Depois de aceitar ser jurado de um programa de rádio no interior de Minas Gerais, tomou um susto ao ler o nome da empresa de ônibus que o levaria à cidade: Viação Sandra.
No caminho, Gil foi reparando nas pessoas simples, nos personagens pitorescos que surgiam. Pensou nos filhos e na efemeridade da vida. Chegou ao fim do trajeto revigorado e aceitando a separação. E também com a letra de um de seus maiores sucessos num pedaço de papel: Drão, o amor da gente é como um grão / Uma semente de ilusão / Tem que morrer pra germinar…
Para Sandra, a canção foi se tornando cada vez mais tocante. “A música fala exatamente de um tipo…
Acho que eu me envolvo muito com as pessoas, tenho certeza disso. Escrevi isso pensando em como um dos meus novos amigos estava se sentindo, é uma daquelas coisas que não sabemos como escrevemos, mas sabemos sentir em cada abraço silencioso e apertado em meio aos soluços…
Tudo dói, o silêncio, a angustia, a vontade, tudo.
Já faz um tempo que eu não sei explicar essa dor e o motivo dela residir em mim, tudo dói e parece que vai sempre doer.
Nada faz sentido, não sei se estou lento demais ou se o tempo passou a se arrastar, só sei que cada um daqueles minutos parecem horas. As unidades de medidas medem o tempo que essa dor mora em mim. Eu queria que elas não medissem nada.
Eu queria gritar de dor, mas minha voz não sai, eu tento não ouvir, mas parece impossível, preferia o silêncio eterno a sentir cada uma daquelas palavras dentro de mim, elas doem.
A dor é parecida com aquela dor de quando nos perdemos no meio da chuva na infância, ficamos sozinhos, os trovões parecem bombas e nos deixam ainda mais indefesos do que já estamos.
O som ecoado pelo trovão com tempo, pouco tempo, vai deixando a distorção, palavras conhecidas vão surgindo, tudo é tão barulhento em meio ao vazio.
Parece que a cada segundo fica mais e mais escuro, tudo parece ser tão longe, e não se vê nada, só se ouve cada som ecoando em meio ao vazio em meio ao meu silêncio.
Olhou…, não reconheceu aquele espaço, era tudo tão igual a antes, mas ainda assim tão diferente, como não percebeu que tudo mudou?
Seus sonhos não estavam no lugar certo, estavam todos encaixotados, empoleirados, deixados de lado no canto de um quarto empoeirado.
Andou por todos os cantos, mas nenhum canto era o seu. Olhou-se no espelho e não se reconheceu, as roupas, o cabelo, o tênis, era o seu corpo, mas não era ele. Escorregou os dedos no espelho e sentiu o toque gelado, não havia diferença no reflexo e em si. Quando ficou assim?
Afastou a mão e levou ao rosto, não sentiu o habitual sorriso, nem se lembrava quando aquele canto dos lábios deixou de abrigar sua alegria.
Viver tá me deixando louco
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouco
Em guerra lutando por paz
Seus pés não estavam descalços mais ainda assim doíam como se estivesse andando a horas em círculos, era tudo sempre igual, deslizou-se por qualquer parede, respirou fundo e se sufocou com as lembranças.
A música que tocava era a mesma de ontem, e de todos os dias anteriores, era um disco repetido que o lembrava que o condenaram por não seguir a um mesmo ritmo, por não andar na linha, por não seguir à realidade dos fatos.
Era tudo tão chato, era sempre mais do mesmo. Era insuportável ver a mesma paisagem da janela, ter seus passos milimetricamente controlados, se sufocar dentro da roupa e de si mesmo. O suspiro sobrepôs à música, foi alto e desesperador, era um grito sem palavras que ecoou por todos os cantos.
Fechar os olhos não adiantava, ele não esqueceria, mas não reconhecia aquela certeza que tantos tinham como absoluta.
Pesos e medidas não servem
Pra ninguém poder nos comparar
Porque
Eu não pertenço ao mesmo lugar
Viver…, quando viver passou a ser sinônimo de “não viver”? Seus dias eram eternas tempestades, tropeçava nos próprios pés, eram os mesmos gostos, os mesmos caminhos, e aquilo, aquilo não bastava.
Era tudo tão cinza, uma eterna neblina que escondia tudo inclusive a si.
Sentiu saudades dos seus sonhos e abriu uma das caixas, eram tantos, lembrava-se de quando eles transbordavam de dentro de si e inundavam o mundo. Respirou fundo, sentiu todo aquele aroma de liberdade, quando havia se contentado em aprisionar seus sonhos?
Mal percebeu quando suas mãos rasgaram cada uma das caixas, o perfume da liberdade inundava a casa, as roupas estavam o sufocando, ele não era o mesmo, preferia transbordar a se conter.
Deixou-se transbordar enquanto respirava cada sonho, cada lembrança, cada parte daquela realidade particular, que criou para sobreviver dentro da “verdadeira” realidade tão insana.
Dias desses me questionei se eu realizei alguns dos projetos de 2017, entrevistar mulheres desconhecidas era uma desses projetos, no fim, esse foi um dos projetos que não vingaram por conta de uma preguiça inegável. Que 2018 se torne o ano das realizações e para dar início a essas realizações, vamos começar com uma entrevista realizada em agosto.
Conheço Andrenize, a entrevistada, a mais ou menos quinze anos, cursamos a segunda parte do fundamental juntas, e eu nunca a imaginei cursando gastronomia, a imaginava como advogada (altas tretas com resoluções nada suaves). Eu também não me imaginava cursando uma segunda faculdade, ainda mais uma de T.I. Quem somos e quem imaginamos ser na adolescência são duas coisas distintas.
Ela entregou seu projeto final em dezembro de 2017 e eu achava que devia no mínimo a publicação dessa entrevista para a homenagear.
Quando eu pensei nessa série de entrevistas, pensei em entrevistar mulheres desconhecidas, que eram estudantes ou haviam deixado de ser a pouco tempo, com o objetivo de mostrar esses variados ambientes de trabalho, suas visões de mundo, suas perspectivas tanto como estudantes tanto como parte do mercado de trabalho.
Andrenize que na época cursava gastronomia nos trás aquele meio termo entre o sonho e a realidade. Ela é competente, trabalha desde cedo, se encantou pela cozinha e por lá ficou (mas ela, ela não é só isso). Em meio a uma conversa nada convencional no aplicativo de mensagens, ela respondeu minhas perguntas, revelando parte do seu cotidiano como cozinheira e parte dos seus sonhos como ainda estudante.
Se deliciem com essa entrevista que deixa evidente os sonhos de todo e qualquer estudante e a realidade fática dos primeiros empregos antes do sucesso esperado. Onde se descobre que além do amor, da competência e do esforço dentro da cozinha é necessário conviver com aqueles pequenos incômodos como o machismo, a hierarquia e o jogo de poder… Cozinhar é complexo jovens, trabalhar na cozinha é ainda mais…
Acervo pessoal de Andrenize
Fazer gastronomia foi uma escolha difícil? Quando você fala o que faz, a reação das pessoas é diferente do que imaginava?
sim. Pois eu imaginava ser outra pessoa, e ter outra profissão. Sonhei na adolescência ser contadora. Sim, as pessoas “julgam ” pela aparência talvez, e sim me dão outra profissão e não a minha de fato, cozinheira. Acredito que a imagem de cozinheiro, seja uma vozinha gorducha, fofa, que cozinha muito para sua família, ou “uma mulher relaxada ” sem vaidades. E por isso talvez surpreenda as pessoas quando digo ser cozinheira rs…
Você já trabalhou em alguns lugares, você acha que existe muita diferença entre o que você aprende nas aulas e a realidade de uma cozinha profissional?
Completamente diferente. Na faculdade aprendemos as técnicas, estudamos na teoria tudo típico de tal país (lugar) para conhecer profundamente aquela cultura e/ou história, para que possamos entender o prato quando for feito. Na prática (em sala de aula), fazemos tudo em pequenas quantidades para somente aprender as técnicas e como deve ser feito, seguindo as fichas técnicas e as ordens do professor. Sempre com muitos detalhes para ser perfeitos tanto cortes quanto sabor, com ingredientes originais para poder assim conhecer e levar no decorrer de sua carreira.
No mercado de trabalho, é correria, é grande quantidade, os alimentos feitos no seu preparo *mise en place . Tudo tem tempo de corte, é preciso agilidade, pensamentos rápidos, ter foco, ser objetivo se algo por um acaso der errado tem que existir um plano B de imediato.
Um chef no qual você se espelha? Qual o motivo?
Não sigo, nem quero ser igual a nenhum chef. Na verdade, procuro disputar para ser a melhor. Não busco e nem tenho nenhum como exemplo. Tenho uma inspiração, meu professor Ugo Werneck, ele é muito sábio e admiro a inteligência dele, ele possui doutorado em gastronomia. Na cozinha, o cara é quase um terrorista… Tudo e muito bem calculado, nada de desperdícios, tudo limpo. Essa é a inspiração que eu busco. Quero me formar, e ter mais a frente doutorado, e ser uma *gastróloga, que sempre terá as respostas da realidade de cada prato mundialmente falando e cultural.
O que “todo mundo imagina”, mas não ocorre na cozinha profissional? O que “ninguém imagina” mais ocorre?
Baião de dois feito por Andrenize
Todo estudante imagina que será chef de cozinha, na verdade “chef” e só um cargo normal, como engenheiro, administrador… Imaginam que quando for para um hotel 6 estrelas ou restaurante vão direto para o fogão colocar em pratica o que aprendeu. E não. Não é assim, primeiro você é *Steward, lava a louça, lava o chão, pica os alimentos, corta os dedos, calos nas mãos, pele frágil…
O que ninguém imagina, mas ocorre, é que por mais que seja uma cozinha e tenha comida, na maioria das vezes o cozinheiro não come. Ou por falta de tempo, ou por ficar atarefado, ou por degustar tanto que se enjoa da comida.
Ninguém imagina que alimentos tão simples se tornam mágicos no prato e não acreditam simplesmente quando provam, pois sua técnica de *cocção faz muita diferença. Ha disputa de cozinheiros para ver quem sobe primeiro para ser sub chef e querer mandar.
O que te tira do sério, te desmotiva no ambiente de trabalho?
O que me desmotiva é não ter *mise en place, todo pré-preparo. O que me tira do sério é ver a cozinha um caos, bagunçada me irrita, assim como vê tudo sujo e/ou pessoas que fazem corpo mole.
Já sentiu diferença no tratamento dos seus colegas por você ser mulher?
Sim a várias diferenças, porém difere de acordo com o local de trabalho. Já deram muito em cima (de mim) quando eu trabalhava em hotel, e em algumas tarefas também (sentia a diferença), por exemplo quando não aguentava pegar uma panela “meeega” grande o cozinheiro vinha e me dava aquela “mãozinha”. O machismo existe sim, e é muito chato lidar com isso, mas eu tento mostrar o meu melhor já que: “o cara se acha melhor por ser homem”.
Você acha que a ideia de que “Chefs são homens” e “cozinheiras são mulheres” existe no imaginário de muitas pessoas? Como você acha que essa ideia surgiu?
Essa ideia é na verdade um mito. Chef pode ser mulher ou homem. Os homens que são machistas, não aceitam que uma mulher possa ser melhor, e que na verdade é. Mulheres são mais rápidas e muito mais em ordem com o cumprimento de cada tarefa (risos).
Esse mito surgiu em 1756, desde a história dos padeiros, apesar de homens e mulheres fazerem pães em suas casas. Tendo relação também com a pré-história, quando o homem ia em busca da caça, e a mulher cuidava dos filhos ou plantava… Tem muito assunto dentro desse conceito, desse mito… Vários fatos do passado que contribuíram para essa cultura machista de hoje dentro das cozinhas ou em outros cargos..
Existe diferença entre Chef e cozinheiro?
Chef é um cozinheiro que conseguiu o cargo “de chef”, então ele pode administrar as pessoas da/na cozinha como ele bem quiser, montar cardápio, retirar e colocar receitas.
Caso haja chef executivo, “ele manda o cardápio para o chef, e assim o chef para o sub chef, e o sub chef para o cozinheiro líder, e esse para os auxiliares (risos) ” , o cozinheiro executa as tarefas pedidas pelo seu sub chef. Isso vai depende do tamanho da cozinha, e quantas pessoas têm a sua volta.
Eu sou cozinheira (no local de trabalho) e acima de mim só tem o sub chef e abaixo de mim 2 estagiarias. (risos)… Cozinha de pequeno porte. E se fosse em um hotel eu seria a bactéria novata na brigada de cozinha mandada por todos.
Qual a pior sensação que você já sentiu na cozinha? Em algum momento você já se questionou, se fez a escolha certa?
A pior sensação é com toda certeza é quando dá a hora da saída e chega aquele cliente chato, pede um prato, nesse prato ele pede um monte de frescura, “sem isso, sem aquilo, quero trocar isso por aquilo”. E ataca seriamente minha paciência.
Já me questionei se fiz a escolha certa sim, mas já trabalhei em outras profissões, tanto como vendedora ou na área da administrativa, e isso, me ataca muito mais os nervos, do que estar dentro de uma cozinha, onde eu me divirto com os cozinheiras e cozinheiros. Fogão não fala, panela também não, então não me irrita, gosto de montar pratos… É bom, legal e bonito (risos)…
Qual a sensação mais compensadora de se fazer um prato?
Arroz Maria Izabel feito por Andrenize.
Nossa, me sinto muito bem quando dizem: “Está lindo e gostoso”. A pouco tempo, lá onde eu trabalho, uma mesa com 6 pessoas, todos levantaram e bateram palmas para mim, no meio do salão, onde haviam outras mesas e outros clientes… Me elogiaram, fiquei muito feliz.
Outro dia, subiu (para o local onde fica a cozinha), um pai com o filho pequeno e curioso para conhecer a cozinha, ai o menino me viu e disse: “seu papa e muito gostoso” (risos)… E eu subi igual balão na Turquia. Criança não mente e quando gosta é porquê é bom mesmo rs…
Qual a frase que você mais ouve enquanto cozinha?
“Prova aí, vê se tá bom de sal e pimenta.” Essa frase escuto mais de 100 vezes ao dia. (risos)
Uma frase que tem um significado especial para seus dias na cozinha?
Nossa essa me pegou!!! “Pensar, planejar e executar.”
Um conselho para quem escolheu essa área?
Não desista se errar, tudo se aprender se torna melhor. Viva com foco na cozinha e sempre seja realista.
Glossário:
*Mise en place – é uma expressão em francês, que significa “colocar no lugar”. É o ato de deixar todos ingredientes e elementos utilizado na receita, ali do lado, prontos para serem utilizados.
*Gastróloga – Aquela que estuda ou é conhecedora da arte e da ciência culinária.
*Steward – aquele que conforme as normas do ambiente de trabalho, limpa, higieniza e organiza utensílios.
O blog Fora do Papel destina a divulgação de livros publicados inicialmente em plataforma digital e talvez alguma entrevista, com algum autor.
Atenção, entendo como livro qualquer coisa que contenha parágrafo, início, meio e fim. Assim sendo, vai ter divulgação de Fanfic sim meu bem, e se não gostou pula pra próxima postagem.
O livro não é o papel e sim o que tá escrito nele, a ideia surgiu após a leitura do livro A Editora™ de Bruno Guimarães. Ironicamente eu nunca fui grande fã de blogs literários, mas sempre fui uma grande consumidoras de livros.
Esse blog não é a idealização de um sonho ou algo parecido, na verdade ele nasceu da minha necessidade de compartilhar o que eu lia com outras pessoas, e verdadeiramente falando, acho que consumo mais livros digitais em diversas plataformas (incluindo obviamente a Amazon) do que livros de papel.
Sinceramente acho que as Editoras deveriam valorizar mais essas plataformas.
O objetivo do blog não é fazer um ranking literário, o objetivo é só enaltecer esses autores que passam horas dos seus dias pensando nos capítulos ou no novo livro e que buscam desesperadamente que o número de comentários se equipare ao de visualizações. Comentários são importantes.
Suspirou mais de uma vez enquanto encarava o corpo marcados por si,
O beijou,
Se beijaram, entre os gemidos e as confissões do acaso,
Era só prazer e por isso era intenso,
Era casual,
Eram dois e não um.
O compromisso ficou do lado de fora, junto com os problemas e as desavenças, lá dentro só cabia os dois corpos e a intensidade entre eles.
O cheiro de sexo,
A inexistência da obrigação, a existência do acaso, do único, das pernas, das suas pernas em outra cintura que não a conhecida.
A bagunça dos lençóis que quase inexistiam na cama.
A cor inexistente dos pares de olhos inexplicavelmente fechados, para não guardar as memórias,
Para não criar desejos, para não desejar histórias, para as histórias não serem lidas novamente.
Mas era ilusório, a ilusão era prazerosa…
Suspiraram,
Desejaram,
Odiaram a colocação necessária de seus corpos naquele ambiente tão pequeno.
Uma das mãos derrubou a lata de cerveja e a ilusão de que não estavam sóbrios.
Estavam cientes, sóbrios e queriam.
A nicotina trafegou mais do que os lábios, desceu pelos seios, e chegou no ventre, entre os suspiros e as lembranças surgiu o aperto nos cabelos curtos que mal cabiam entre seus dedos, se confundiu entre o prazer e a culpa.
Culpou-se no momento em que se sentiu livre, seus dedos apertaram-se, e os gemidos saiam, a culpa voltava, mas era tão momentânea quanto a fumaça do cigarro, só restou o aroma.
Puxou o rosto para si e provou seu próprio gosto enquanto encarava os olhos que agora sabia que teria que se despedir, antes do banho frio, dos sonhos furtivos, ou dos famosos “até a próxima”, ela saiu.
Saiu sem deixar nome, endereço ou telefone, apenas deixou seu cheiro entre a bagunça do quarto e os travesseiros jogados no chão.
Saiu deixando tudo que não queria deixar, lembranças…
Ocultou sua loucura com outras loucuras, disfarçou seus tombos com risos, e transformou os barulhos ensurdecedores em música, tentou respirar, tentou se acalmar, tentou parar, mas tudo fugiu do controle enquanto ele tentava fugir…
Se abrigou entre a certeza e a incerteza, se resfriou em meio a tempestade, chiou, molhou os pés, perdeu o tênis, mas estava sol…, Tentou entender, tentou respirar mas se sentiu sufocado, estava perdido e se perdeu ainda mais quando o interminável barulho começou à soar em seus ouvidos, era realmente ensurdecedor…
As mãos tentavam se livrar daquele barulho, mas ele não vinha de fora, vinha de dentro, era angustiante, era sufocante, ele cravou seus pés no chão paralisando, não conseguiu andar, não conseguia se concentrar, as mãos inquietas continuavam a tentar fazer parar, mas não adiantava, não parava, não parava, ele só teve forças para cair, caiu em um único baque por cima dos joelhos, doeu, doeu tanto que ele chorava como uma criança.
Ele não conseguia, não conseguia parar de ouvir todos aqueles sons, seu fone, sua música que o acalmou durante anos, agora não mais adiantava, era assustador, era devastador, era como se um grande buraco tivesse sido cavado dentro de si, e era isso, era um buraco que tinha sido aberto e que ele não conseguia mais fechar…
Buscou a sua volta quem poderia o ajudar, mas todos pareciam não o perceber ali, ele não existia, tentou se levantar, mas não conseguia, tentou gritar mas não tinha voz. Parecia estar sendo torturado por algo que ele nem sabia ter cometido. Se sentiu aprisionado, uma prisão sem grades, todos pareciam o vigiar, o viam sofrendo e não faziam nada, pareciam se divertir em meio aos seus gritos inaudíveis.
Ele não conseguia entender, ele não conseguia se entender tudo estava uma bagunça, seus olhos perdidos começaram a reconhecer o tal lugar, mas ainda não entendia como foi parar lá, desistiu de fazer com que eles o enxergassem, preferiu se esconder, se encolheu, eles não podiam o encontrar, já estavam o machucando o suficiente. Chorou, chorou tão forte que suas lágrimas pareciam trazer de volta a tempestade que nunca existiu.
Tudo era confusão, e quanto mais ele tentava entender mais ele se agoniava, o coração parecia pular, as mãos abandonaram os ouvidos, tinha desistido de fazer parar, apenas se encolhia, tinha perdido praticamente as forças em meio aos soluços, a respiração completamente descompensada logo provocava engasgos desesperadores. Não o viam, não o escutavam, não faziam nada, mas pareciam o machucar, parecia que o simples olhar daqueles desconhecidos era suficiente para fazer sua pele queimar.
Entre um soluço e um respirar a ardência em seu corpo aumentava, não tinha mais forças para tentar ao menos amenizar a pele, tentou entender como as manchas que nem notará que tinha, se multiplicavam, ampliavam…, não se reconhecia, respirou e fechou os olhos tentando limpar a visão, mas a escuridão ela ainda era mais assustadora, era no escuro que todos os seus pesadelos viviam, foi lá que tudo começou.
Entre um fechar de olhos e outro, percebeu que tudo ficou escuro, se bateu se culpando, sabia que não podia ter piscado, mas estava tão cansado, nada adiantava, nada, tentava se convencer que aquilo tudo não era nada, mas era tão real, apertou as mãos, os olhos, franziu o cenho, o barulho finalmente parou, a escuridão ganhou forma, ele não conseguia gritar, estava sozinho.
Esperou desesperadamente para que aquela escuridão o consumisse logo, ele não aguentava mais, ele queria que tudo acabasse, mas não acabava, o escuro era tão apavorante quanto lembrava, era gelado, era sozinho, era um grito em meio ao seu silêncio, e foi em meio a todas as formas que ele reconheceu dos seus pesadelos de infância o medo angustiante de não existir mesmo existindo.
Foi em meio a tantos medos que seu coração acelerado começou a ganhar seus ouvidos, o barulho que surgia era assustador, se ouvir era assustador, estava com medo, estava sozinho, estava onde não queria estar, mal sentiu quando o ritmo começou a cair, se sentiu leve e foi como se tivessem tirado um peso de suas costas. Estava tão cansado que mal percebeu quando mãos começaram a o tocar, ele foi se acalmando em meio a confusão a luz foi novamente invadindo seu campo de visão mas não durou muito, dormiu…
Quando acordou não reconheceu as paredes, a tinta, os pôsteres, era tudo como antes,mas mesmo assim diferente, tocou a porta e se sentiu preso novamente, se perguntou se um dia já esteve longe daquele quarto.